Crise reduz empregos de verão para adolescentes norte-americanos

Sheila McNulty

Daniel Eisner, estudante do primeiro ano na Universidade de Missouri, começou a procurar emprego no final de maio, quando chegou em Atlanta para o seu estágio não remunerado na Turner Sports. Ele inscreveu-se para os empregos de verão usuais em locais como a Jason's Deli, a Smoothie King e a Champs Sports.

"Eu estava procurando um emprego que me proporcionasse um pouco de dinheiro para os gastos", explica Eisner, 20. As empresas lhe disseram que ligariam caso precisassem de alguém. "Até hoje não recebi nenhum telefonema".

Por sorte, ele contava com algum dinheiro de reserva que conseguiu ao trabalhar em três empregos no verão do ano passado, quando a situação da economia era melhor. Além disso, os seus pais têm se mostrado dispostos a emprestar-lhe dinheiro.

Quando ele retornar ao Missouri para a faculdade no início do outono, Eisner procurará novamente emprego, mas por ora ele desistiu.

O fato é que, em junho, o índice de desemprego para adolescentes foi de 24%, comparado a 22,7% em maio e 21,5% em abril. Entre os homens adultos, esse índice subiu de 9,4% em abril para 9,8% em maio e 10% em junho. Entre as mulheres adultas, o índice de desemprego saltou de 7,1% em abril para 7,5% em maio e 7,6% em junho.

Embora esses números signifiquem que a situação está difícil para a população em geral, para muitos jovens eles indicam uma tendência do fim dos empregos de verão com os quais os estudantes de segundo grau e universitários há muito tempo contavam para obter experiência profissional, juntar dinheiro para pagar a faculdade e pagar a pizza e a cerveja.

E o aumento do custo da mão-de-obra poderá agravar a situação. O salário mínimo nos Estados Unidos deverá aumentar dos atuais US$ 6,55 (R$ 12,40) por hora para US$ 7,25 (R$ 13,70, 4,37 libras esterlinas, 5,07 euros), fazendo com que seja mais caro contratar esses indivíduos jovens, e em grande parte inexperientes, que estão ingressando na força de trabalho.

Em fevereiro e março últimos, Adnan Poonawala, aluno da Universidade Rice, em Houston, no Estado do Texas, começou a procurar um emprego de verão para ajudar a cobrir as suas despesas, que incluem o aluguel mensal da sua moradia no campus, que é de US$ 1,200 (R$ 2.270). "Desta vez foi mais difícil, e eu tive que procurar emprego por mais tempo", diz Poonawala.

No fim das contas, ele foi obrigado a aceitar um estágio não remunerado no grupo de informação IHS, onde faz análise de pesquisas e de dados. "Os meus pais estavam esperando que eu recebesse uma remuneração, de forma que pudesse contribuir com as despesas da minha educação", conta Poonawala. Mas o seu pai acabou tendo que cobrir essas despesas.

Betsy Gelb, professora de administração de empresas e marketing da Faculdade de Administração de Empresas Bauer da Universidade do Texas, diz que muitos pais já não esperam que os filhos trabalhem, e em vez disso estão aconselhando-os a redigir currículos voltados para trabalhos voluntários. "Antigamente, antes de entrar na faculdade, esperava-se que os alunos 'sujassem as mãos' em um emprego de verão'", diz Gelb.

Questões legais e relativas a seguros também emergiram no decorrer dos anos, fazendo com que a contratação de indivíduos com menos de 18 anos tornasse-se menos atraente.

Assim, os jovens estão fazendo cada vez mais trabalhos voluntários, e os empregos que antes eram reservados aos estudantes estão sendo ocupados por membros adultos de famílias de duas rendas que desejam um melhor padrão de vida.

Agora serviços como entrega de pizza e de jornais são realizados por adultos e, segundo Belinne, muitos pais estão satisfeitos com isso, porque eles temem que os filhos façam trabalhos que são tidos como mais perigosos. Além disso, os trabalhos voluntários acrescentam pontos aos currículos dos jovens.

Daniel Jaffe, 16, concorda. Neste verão ele está se apresentando como voluntário a uma organização filantrópica, em vez de trabalhar por dinheiro como salva-vidas em uma piscina, como os seus amigos. "Isso demonstra que eu me preocupo com a comunidade e que estou envolvido com ela", diz Jaffe.

Mas Belinne afirma que há um problema ao se encorajar os adolescentes a simplesmente trabalharem como voluntários ou fazerem estágios não remunerados: eles não aprendem a "resolver os grandes problemas" que possibilitam que uma instituição funcione, e são apenas encorajados a crescer e se desenvolver. "Quando eles entram no mundo real, recebem um balde de água fria".

Tradução: UOL

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