EUA buscam laços mais estreitos com a China

Daniel Dombey e Sarah O'Connor
Em Washington (EUA)

Barack Obama buscou na segunda-feira melhorar o relacionamento dos Estados Unidos com a China, pedindo à superpotência ascendente da Ásia a formação de laços mais profundos com Washington na economia, mudança climática e proliferação nuclear.

  • Alex Wong/Getty Images/AFP

    Vice-premiê chinês, Wang Qishan (esq.) cumprimenta o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na abertura de uma cúpula bilateral, em Washington, nesta segunda-feira

Falando no início de dois dias de negociações de alto nível entre os países sobre os desafios diplomáticos e econômicos diante deles, o presidente americano previu que o relacionamento de Washington com Pequim "moldará o século 21".

Obama descreveu a China como uma força para o progresso que precisa cooperar com Washington, tratar das questões globais e respeitar os direitos humanos dentro de suas próprias fronteiras.

Mas, reconhecendo a crescente influência da China e em um sinal da mudança das prioridades dos Estados Unidos, o presidente e altos funcionários americanos não reiteraram os pedidos públicos, feitos por Washington no passado, para Pequim permitir a valorização de sua moeda.

"Algumas pessoas na China pensam que a América tentará conter as ambições da China; algumas pessoas na América pensam que há algo a temer na ascensão da China", disse Obama. "Eu tenho uma posição diferente."

O presidente expôs uma visão do futuro na qual os dois países seriam "parceiros por necessidade, mas também parceiros por oportunidade".

A natureza das negociações econômicas e estratégicas em Washington resulta de um esforço para dar um foco político a um diálogo antes dominado pelo Tesouro, durante o mandato do antecessor de Obama, George W. Bush.

Hillary Clinton, a secretária de Estado, e Tim Geithner, o secretário do Tesouro, juntamente com o vice-primeiro-ministro da China, Wang Qishan, e o conselheiro de Estado, Dai Bingguo, estão participando das conversações.

"Encontro China-EUA revela o poder de Pequim"

China e Estados Unidos pretendem discutir os problemas do mundo durante uma reunião de dois dias que começou nesta segunda-feira. Em uma entrevista a "Spiegel Online", Andrew Small, especialista na China, diz que o encontro simboliza o recém-descoberto poder de Pequim

Dai disse que os dois países estão "no mesmo grande barco que foi atingido por um vendaval e ondas enormes, com nossos interesses interconectados, compartilhando a fortuna e má fortuna."

Ele concluiu seu discurso citando o slogan de campanha de Obama, "Sim, nós podemos".

Apesar da retórica, o relacionamento entre os Estados Unidos e a China permanece em grande parte definido pelo status da China como maior detentora mundial de papéis do Tesouro americano. Este status aumenta a influência de Pequim sobre Washington e aumenta sua exposição à economia americana em dificuldades.

Obama disse que as principais prioridades dos países devem ser a cooperação na economia e na mudança climática, assim como o combate à ameaça de proliferação nuclear no Irã e na Coreia do Norte.

Ele elogiou a China por "retirar centenas de milhões de pessoas da pobreza" e enfatizou os pedidos americanos para que "a religião e cultura de todas as pessoas sejam respeitas e protegidas".

Washington respondeu cautelosamente aos recentes choques envolvendo a minoria uigur da China, na província de Xinjiang. Os diplomatas americanos estão tentando equilibrar uma provável visita de Obama à China, ainda neste ano, com um possível encontro entre Obama e o Dalai Lama, o líder tibetano exilado.

Geithner pediu à China para voltar sua economia para o consumo doméstico, que ele disse que seria uma "enorme contribuição para um crescimento global mais rápido, equilibrado e sustentado."

Ele também disse que os Estados Unidos ajudariam a China a obter uma maior representação em organizações internacionais como o Fundo Monetário Internacional.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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