Colômbia busca apoio para pacto militar

Naomi Mapsone e Benedict Mander
Em Lima (Peru) e em Caracas (Venezuela)

Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, embarcou em uma missão para conquistar corações e mentes na América do Sul, depois de um endurecimento da oposição na região a sua decisão de dar aos americanos acesso a várias bases militares.

As relações já desgastadas entre a Colômbia e seus vizinhos esquerdistas, Venezuela e Equador, pioraram com a decisão de aumentar o número de soldados americanos na Colômbia de 300 para algo entre 800 e 1.500. Segundo Uribe, a medida faz parte de um pacto para fortalecer sua campanha contra guerrilheiros de esquerda e cartéis de drogas.

Uribe vai visitar o Peru, Chile, Brasil e Paraguai e reunir-se-á com os presidentes da Argentina, Bolívia e Uruguai. No dia 10 de agosto haverá uma reunião especial dos líderes da União de Nações da América do Sul (Unasur) em Quito para debater a questão.

Hugo Chávez, presidente da Venezuela, acusou a Colômbia de estabelecer uma plataforma da qual poderá atacar seus vizinhos. Evo Morales, presidente da Bolívia, disse que se qualquer líder latino-americano permitir o estabelecimento de bases americanas será um "ato de traição".

Até julho, os EUA tinham coordenado seu esforço de combate ao narcotráfico a partir de uma base no Equador, mas Rafael Correa, presidente deste país, recusou-se a renovar o contrato depois que soldados colombianos invadiram um campo guerrilheiro em solo equatoriano. Raul Reyes, líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), foi morto na invasão, e soldados colombianos apreenderam um laptop contendo documentos que, segundo a Colômbia, sugeriam laços venezuelanos e equatorianos com os guerrilheiros, algo que os dois governos negaram.

A oposição ao pacto colombiano com os EUA não é limitada à esquerda política. Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, disse que "lamenta" a decisão de Uribe, mas que, assim como não ia querer Uribe interferindo em seu governo, não ia interferir no dele. Todavia, o ministro das relações exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse a um jornal de São Paulo neste final de semana que temia "uma forte presença militar cujo alvo e capacidade parecem ir bem além do que seria necessário dentro da Colômbia".

Michele Bachelet, presidente do Chile e diretora interina do Unasur, disse que compartilha plenamente das preocupações de Lula.

O mais eloquente crítico da Colômbia tem sido Chávez, que coloca as relações entre os dois países "em cheque" como consequência direta da decisão de Uribe. Após a Colômbia acusar a Venezuela de fornecer lançadores de foguetes aos guerrilheiros das Farc, o líder venezuelano na semana passada "congelou" as relações diplomáticas e econômicas entre os dois países, retirando o embaixador venezuelano de Bogotá por causa das "agressões" da Colômbia.

Chávez disse que as bases seriam uma "ameaça" à segurança e à soberania nacional venezuelanas, acrescentando que descrevê-las como "colombianas" era um eufemismo já que seriam bases americanas de fato.

O comércio bilateral entre a Colômbia e a Venezuela superou US$ 7 bilhões (em torno de R$ 14 bilhões) no ano passado e analistas duvidam que seja significativamente reduzido, contudo as ameaças de Chávez de expropriar empresas colombianas na Venezuela não devem ser desconsideradas.

Tradução: Deborah Weinberg

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