A complicada missão do novo secretário-geral da Otan

O mundo mal percebeu quando sua organização coletiva mais poderosa ganhou um novo secretário-geral nesta semana. Deveria. A Otan talvez não pareça tão relevante quanto era quando tanques soviéticos estavam preparados a avançar para o Reno. Mas o papel diante de Anders Fogh Rasmussen, ex-primeiro-ministro dinamarquês, é crucial -e assombroso.

  • Yves Herman/Reuters

A Otan, cada vez mais, arrisca ser vista como uma aliança opcional, na qual os países escolhem suas obrigações. A maioria dos soldados no Afeganistão, onde Rasmussen está hoje, vem de meia dúzia de Estados membros. Tal assimetria não é típica e gera rancor.

A aliança ainda não está quebrada. Sua expansão deve ser considerada um sucesso. Novos membros veem a Otan como garantia final de soberania. A fila para entrar vai desde os Bálcãs até o Mar Negro.

Cronologia

1949Organização do Tratado do Atlântico Norte é criada em Washington. Os 12 países fundadores são Estados Unidos, Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Grã-Bretanha, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Holanda, Portugal
1952Entrada de Turquia e Grécia
1955Entrada da República Federal Alemã;

Formação do Pacto de Varsóvia
1966França deixa estrutura militar de comando
1982Entrada da Espanha
1989Queda do Muro de Berlim
1991Fim do Pacto de Varsóvia
1992-95Otan entra em ação contra os sérvios em Sarajevo na Guerra da Bósnia
1998-99Otan bombardeia a Iugoslávia no conflito de Kosovo. Desde então, mantém tropas em Kosovo para garantir "estabilidade" regional
1999Entrada de Polônia, a República Tcheca e a Hungria
2001Ataque de 11 de Setembro contra as Torres Gêmeas, em Nova York (EUA);

Otan cria uma força especial (ISAF) para agir no Afeganistão
2002Assinado acordo entre Otan e Rússia
2004Entrada de Lituânia, Estônia, Letônia, Eslováquia, Eslovênia, Bulgária e Romênia
2009Entrada de Albânia e Croácia;

Regresso pleno da França à aliança
Todavia, a Otan precisa ser reformada. O financiamento de operações deve ser modernizado. A maior parte das verbas gastas deve vir de fundos comuns em vez de os gastos serem assumidos por determinados membros da aliança para tarefas específicas. As estruturas de comando poderiam ser simplificadas. As contribuições nacionais são muitas vezes tão cheias de condições que a capacidade da Otan de funcionar como aliança é diminuída. Espera-se que o espírito invencível dinamarquês supere a burocracia que derrotou os esforços de reforma no passado.

A agenda de longo prazo vai desde terminar o trabalho em Kosovo até lidar com a Rússia. Rasmussen vai precisar de firmeza e tato para melhorar as relações com Moscou enquanto mantém a porta aberta pra Geórgia e Ucrânia, como deveria.

Ainda restam falhas entre a UE e a Otan, cujas soluções devem ser mais fáceis agora que a França entrou para a estrutura de comando da aliança. Em questões de segurança, a chave é uma cooperação prática, em vez de discussões teológicas dos papéis de cada um.

O Afeganistão é a questão imediata, todavia, seu insucesso não deve ser tratado como uma ameaça para a credibilidade da Otan. Nesta semana, Rasmussen advertiu o Taleban a não confundir a transferência da responsabilidade de segurança para afegãos com uma retirada das tropas do Ocidente. As forças da Otan vão continuar no país pelo "tempo que for necessário".

Quais forças da Otan? O Afeganistão já parece mais uma operação anglo-americana do que da Otan (apesar de sacrifício genuíno dos aliados). A análise das operações por McChrystal, esperada nas próximas duas semanas, deve recomendar um aumento no número de soldados e um foco no combate à insurgência, pouco popular entre alguns europeus.

Se a Europa quiser que os EUA a ouçam, e que a Otan seja uma aliança e não apenas um rótulo, vai precisar usar seu peso, gastando (e arriscando) muito mais.

Tradução: Deborah Weinberg

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