A Bovespa no caminho para a recuperação: nível de negócios pré-crise deve retornar

Jonathan Wheatley Em São Paulo

A BM&F Bovespa está a caminho de recuperar o volume de negócios visto nos mercados de ações e futuros antes do estouro da crise econômica global, segundo analistas.

Apresentando na quarta-feira os resultados do segundo trimestre, Edemir Pinto, o diretor-presidente, disse que a bolsa está "se recuperando muito bem".

O lucro operacional foi de R$ 420,6 milhões no segundo trimestre, uma queda de quase 15% em relação ao ano anterior, mas um aumento de quase 20% em comparação ao primeiro trimestre.

O lucro líquido foi de R$ 188,1 milhões, quase 14% acima dos R$ 165,2 milhões informados no segundo trimestre do ano passado, principalmente devido às economias de custo, incluindo uma redução no quadro de funcionários de quase um quarto.

Entretanto, os lucros foram atingidos pelo o que a empresa reconheceu ter sido a implantação surpresa no Brasil das práticas internacionais de auditoria. Isso resultou em um impacto negativo de R$ 137,2 milhões sobre o lucro líquido da empresa, mas sem nenhum impacto sobre sua posição de capital. Colocando de lado esse efeito, o lucro corrigido foi de R$ 325,4 milhões durante o trimestre, um aumento de 32% em comparação ao ano anterior.

A BM&F Bovespa foi formada em maio de 2008 por meio da fusão das bolsas de valores e derivativos de São Paulo. Ela tem buscado uma expansão internacional por meio de alianças estratégicas, principalmente com o CME Group de Chicago, que detém uma participação acionária de 4,9%. Esta aliança é uma importante fonte de crescimento de negócios, à medida que os participantes da BM&F Bovespa e da CME podem negociar diretamente instrumentos nas duas bolsas.

Bernardo Mariano, da Equity Research Desk, uma empresa de Nova York especializa em análise de mercados de ações e derivativos, disse que apesar do volume estar aumentando lentamente, a bolsa apresentou seu melhor trimestre em termos de afluxo do exterior desde que o Brasil recebeu grau de investimento das principais agências de classificação de crédito, em abril e maio do ano passado.

Ele disse que esses afluxos poderão continuar à medida que os investidores passem a ver o Brasil como um hedge (proteção contra variações de preço) natural contra o aumento da inflação ao redor do mundo.

"Há duas bolsas no mundo que fornecem um hedge contra a inflação, a CME e a BM&F Bovespa", ele disse. "Isso porque 80% da capitalização da BM&F Bovespa está relacionada a commodities."

Mariano disse que cerca de 30% a 50% dos negócios diários em derivativos brasileiros atualmente ocorrem no balcão americano. Ao introduzir nova tecnologia de trading eletrônico, permitindo aos traders o acesso direto do exterior à BM&F Bovespa, a bolsa brasileira está avançando na captura do mercado.

Pinto disse que a tecnologia de informação que está sendo introduzida nesta ano permitirá à bolsa conquistar esses negócios em cerca de seis meses. A BM&F Bovespa já introduziu os chamados sistemas de acesso direto ao mercado, nos quais os clientes estrangeiros instalam seus próprios servidores dentro da bolsa.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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