Esperanças eleitorais de Merkel ganham reforço com recuperação econômica

Bertrand Benoit e Chris Bryant
Em Saarbrücken e em Berlim

A campanha de Angela Merkel pela reeleição como chanceler pode ganhar força com as notícias que a Alemanha saiu rapidamente de sua maior recessão desde a Segunda Guerra mundial.

Apesar dos conselhos dos políticos para que os eleitores leiam os dados com cuidado, a melhora econômica pode permitir que Merkel diga nas próximas semanas que seu governo colocou a Alemanha no caminho certo.
  • AFP PHOTO DDP / AXEL SCHMIDT

A campanha eleitoral dos cristãos democratas está se concentrando no fato do governo ter adotado medidas que promoveram uma rápida recuperação econômica. Merkel espera que isso garanta sua liderança de 17 pontos sobre os social-democratas.

"Para mim, a crise só terá terminado quando conseguirmos voltar para onde estávamos antes da crise, com o crescimento mais rápido possível", disse Merkel em uma entrevista à rede RTL nesta semana.

"A campanha na Alemanha será sobre quem as pessoas acreditam que vá assegurar empregos, garantir um futuro e prosperidade e que voltemos ao crescimento econômico."

Apesar de Merkel estar à frente de um governo de coalizão, os eleitores provavelmente vão dar crédito à ela e não ao SPD por uma recuperação econômica, segundo os especialistas.

"Claramente, o CDU vai se beneficiar mais", disse Manfred Güllner, diretor do Instituto Forsa.

"As pessoas não associam o SPD com a economia, e Steinmeier (seu líder) ainda é considerado o ministro de relações exteriores."

Quando a crise começou, Merkel foi criticada no exterior por não fazer o suficiente para fomentar o consumo e por depender demais das exportações. Portanto, a chanceler talvez aprecie sua viagem para a reunião da cúpula do G 20 em Pittsburgh, no mês que vem, poucos dias antes dos alemães irem às urnas.

Durante a presidência da União Europeia pela Alemanha em 2007, a liderança de Merkel, muito elogiada, ajudou a agradar seus eleitores em casa.

"Os dados econômicos mostram que a chanceler estava certa em manter seu curso. A Alemanha preferiu passar a impressão de fazer as coisas a de fato fazê-las", disse Steffen Kampeter, especialista em economia do CDU.

As medidas de estímulo econômico de 85 bilhões de euros (cerca de R$ 222 bilhões) aprovadas pelo governo Merkel deram ao governo algum tempo para se recuperar. Dentre elas, o plano de "sucateamento" de carros de 5 bilhões (aproximadamente R$ 13 bilhões) de euros forneceu impulso imediato às vendas de carros novos -que talvez não seja sustentável, porém.

Enquanto isso, a extensão dos subsídios aos empregadores para que pudessem reduzir jornadas de trabalho sem desconto salarial dos funcionários, por enquanto, ajudou as empresas a evitarem demissões em massa, então menos alemães devem ir às urnas determinados a usarem o voto como protesto.

"O governo pode dar a si parte do crédito pela recuperação, por estabilizar os bancos e implementar o esquema de redução de jornada", disse Schumacher, da Goldman Sachs.

Entretanto, o SPD alega ter sido o maior responsável pelos planos de sucateamento e de redução de jornada, e seus membros ocupam os ministérios de finanças e trabalho.

Então, a questão de qual partido tirará mais capital político da recuperação econômica alemã inicial será determinada pelo viés que conseguirem transmitir pela mídia, disse Schumacher.

Tradução: Deborah Weinberg

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