Ahmadinejad nomeia aliados e forma seu gabinete no Irã

Najmeh Bozorgmehr
em Teerã (Irã)

Mahmoud Ahmadinejad apresentou ontem seu novo governo ao Parlamento iraniano, nomeando um novato para o Ministério do Petróleo e entregando a responsabilidade por questões de segurança delicadas a candidatos próximos à Guarda Revolucionária de elite.

A lista completa dos 21 ministros ainda não foi divulgada, mas agências de notícias internas informaram que cinco ministros, inclusive Manouchehr Mottaki, ministro de relações exteriores, continuarão em seus cargos, dois serão transferidos e 14 membros serão novos, inclusive três mulheres.

Dos que estão entrando agora, a nomeação de Masoud Mir Kazemi para o Ministério do Petróleo será potencialmente a mais controversa quando for debatida no Parlamento. O Irã é detentor da segunda maior reserva de petróleo e gás do mundo, e seu orçamento é cerca de 60% dependente da receita do petróleo. A continuidade das políticas econômicas populistas de Ahmadinejad -que foram duramente criticadas- depende de seu maior acesso à renda do petróleo, e Mir Kazemi é aliado próximo do presidente.

Da última vez que Ahmadinejad tentou nomear candidatos de fora do ministério foi bloqueado pelo Parlamento por três vezes consecutivas.

A escolha de Mostafa Mohammad Najjar, ex-ministro da defesa e membro da Guarda, para dirigir o Ministério do Interior deve alarmar a oposição. A nomeação de Heydar Moslehi, anteriormente representante do líder supremo aiatolá Ali Khamenei nas forças voluntárias da Guarda, chamadas Basij, para o Ministério de Inteligência também deve causar preocupação.

Os dois ministérios -do interior e de inteligência- foram instrumentais na repressão pós-eleitoral da oposição. As nomeações sugerem que a posição da Guarda Revolucionária dentro do aparato de segurança do governo será reforçada.

O Parlamento, dominado por fundamentalistas, vai se reunir para debater o voto de confiança das nomeações no dia 30 de agosto. É improvável que desafie Ahmadinejad quanto aos seus candidatos aos ministérios de segurança, mas advertiu ao presidente que os nomeados sem experiência e formação relevantes podem ser vetados.

A oposição -que considera fraudulentos os resultados das eleições presidenciais de 12 de junho vencidas por Ahmadinejad- chamou o governo de "ilegítimo" e não deve participar do debate.

Tradução: Deborah Weinberg

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