Santander revela planos para IPO no Brasil

Victor Mallet Em Madri (Espanha)

A subsidiária brasileira do Santander valerá aproximadamente o mesmo que todo o Deutsche Bank ou o Société Générale quando suas ações estiverem circulando no mercado no próximo mês, segundo os detalhes da oferta pública apresentados pelo banco espanhol na segunda-feira.

O Santander disse que oferecerá entre US$ 6,4 bilhões e US$ 7,3 bilhões em ações de sua subsidiária brasileira, confirmando as previsões de que a emissão seria a maior oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) do Brasil e uma das maiores do mundo neste ano.
  • Paulo Fehlauer/Folha Imagem

    Agência do Santander no centro de São Paulo



A China State Construction Engineering foi colocada no mercado em um IPO de US$ 7,3 bilhões em julho, enquanto a VisaNet, a afiliada brasileira da operadora de cartões de crédito Visa, levantou US$ 4,3 bilhões.

Na faixa de preço anunciada de R$ 22 a R$ 25 por "unit" - um preço mais alto do que o esperado - o Banco Santander (Brasil) valeria entre US$ 45,6 bilhões e US$ 51,8 bilhões. Isso representaria certa de um terço do valor de mercado da matriz do Santander e ressalta seu status como um dos maiores bancos do Brasil.

Na documentação regulatória apresentada em Madri, o Santander disse que planeja vender 525 milhões de units listadas no Brasil e nos Estados Unidos, compostas de ações ordinárias e preferenciais, representando 16,21% do capital atual, ou 13,95% do capital pós-oferta, de sua subsidiária brasileira.

Dos três bancos europeus - Royal Bank of Scotland, Fortis e Santander - que juntos compraram e dividiram o ABN Amro da Holanda em 2007, o Santander foi o que saiu mais forte da crise financeira global.

Ao adquirir o Banco Real do Brasil como resultado do negócio com o ABN Amro, o Santander dobrou o tamanho de suas operações no Brasil e o país agora contribui com um quinto da lucro líquido da matriz.

O Santander já tinha lucrado há dois anos com a venda do italiano Banca Antonveneta - que estava avaliado em 6,6 bilhões de euros após ser adquirido do ABN Amro - por 9 bilhões de euros para o Monte dei Paschi di Siena.

O banco espanhol planeja usar o dinheiro levantado no IPO para se expandir no Brasil, principalmente investindo em novas agências e caixas eletrônicos, assim como para financiar novos empréstimos.

Um bônus adicional é que a venda das ações aumentará sua relação de capital "tier one", uma medida de força financeira que a maioria dos bancos europeus, incluindo o Santander, está buscando reforçar em toda oportunidade.

O Santander disse que o preço final da oferta será estabelecido em 6 de outubro, com a negociação das ADRs (American Depositary Receipts) em Nova York no dia seguinte e das units no Brasil em 8 de outubro. O negócio inclui uma opção "green shoe", que permite a emissão de ações adicionais caso haja demanda suficiente.

Fora qualquer alocação "green shoe", as ações colocadas no mercado constituirão 15,6% da empresa. Os reguladores brasileiros exigem um percentual mínimo de ações em circulação no mercado de 25% e o Santander disse que emitirá ações adicionais após um período a ser acertado com as autoridades brasileiras.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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