Uma cerveja regional encontra espaço no Nordeste do Brasil

Jonathan Wheatley

Há um comercial sendo exibido nas televisões do Nordeste do Brasil que faz uma observação sobre o clima da região. "Aqui faz um baita de um calor", canta o Aviões do Forró, um dos mais populares grupos de forró da região. "O suor chega até a virar vapor."

Um pouco de exagero, talvez. E um exagero que é difícil de traduzir para o inglês, mas o fato é inegável. A próxima frase, para quem estiver suando em uma noite no Nordeste brasileiro, parece fazer total sentido. "Por isso me dá uma Brahma Fresh por favor."

A Brahma Fresh é uma cerveja criada especificamente para o Nordeste do Brasil. Ela está sendo lançada em oito Estados da região, da Bahia, no sul, ao Maranhão, no norte, e a sua fatia média do mercado em toda a região - incluindo locais onde ainda não está sendo vendida - era de cerca de 6% em julho deste ano. Na cidade de Belém, no norte do país, o maior centro urbano da região, próxima à foz do Rio Amazonas, essa fatia chegava a 23%.
  • Jeef Roberson/AP

    Garrafas de cerveja em esteira de fábrica



O sucesso dessa cerveja é, em parte, uma indicação do poder da economia do Nordeste, onde a inflação reduzida durante um longo período e os programas modestos, mas eficientes, de transferência de renda inseriram milhões de pessoas no mercado consumidor nos últimos anos.

Mas a Brahma Fresh é também um exemplo revelador de como algumas grandes companhias de bebidas estão desenvolvendo produtos baseados nas tradições e nos costumes regionais. Ela é fabricada pela AmBev, o braço brasileiro da companhia que tornou-se a AB InBev, a maior cervejaria do
mundo.

De maneira similar, na África, o SABMiller, o grupo sul-africano que é a terceira maior cervejaria do mundo, anunciou recentemente os seus planos no sentido de produzir uma cerveja feita a partir de mandioca, em parte para combater o perigoso comércio de álcool caseiro, mas também para criar uma oportunidade no mercado local.

"Estamos muito orgulhosos pelo fato de isto não ter sido algo criado pela sede da empresa", diz Marcelo Marcondes, o diretor da AmBev responsável pela Brahma Fresh. "Isto é um resultado de muita pesquisa de campo para conhecermos o mercado."

Marcondes afirma que a companhia passou 18 meses desenvolvendo o produto. O objetivo era obter uma cerveja leve e fresca, para ajudar os consumidores a suportar o calor intenso da região árida, sem sacrificar o sabor da bebida.

Entretanto, a cerveja é apenas uma parte dessa história empresarial. A AmBev teve cuidado na hora de escolher qual das suas marcas seria desenvolvida para a região e em se vincular aos costumes e às tradições locais.

Marcondes afirma que a companhia cogitou por um curto período lançar a cerveja sob uma marca totalmente nova, mas acabou descartando esta opção, por considerá-la muito arriscada. Ela preferiu, em vez disso, focar-se na Brahma porque esta marca adequava-se mais às características do povo Nordestino. A decisão foi tomada apesar do fato de a Skol, uma das suas marcas, já ser a cerveja mais vendida no Brasil.

"A marca Brahma é reconhecida como a autêntica cerveja brasileira", diz Marcondes. "E o 'Brahmeiro' (um bebedor de Brahma) é uma pessoa que trabalha duro para que a sua família tenha um futuro melhor. Isso vale para todo o Brasil, mas é algo que está totalmente presente no Nordeste."

Na verdade a Brahma Fresh não está exatamente associada a imagens de trabalho árduo. O mais recente comercial da cerveja mostra o Aviões do Forró em uma apresentação ao vivo, em frente a uma multidão de casais que dançam ao ritmo do forró, uma música e um estilo de dança típicos da
região.

A AmBev está selecionando cuidadosamente oportunidades de patrocínio a fim de se beneficiar dessa tradição. Neste ano, nas comemoração locais da Festa Junina nas cidades menores do Nordeste, a marca patrocinadora foi a Brahma Fresh. A Festa Junina, também conhecida como Festa de São João, é a maior festa do Nordeste durante o inverno brasileiro.

A marca foi também a maior patrocinadora neste mês da "Vaquejada" de Serrinha, no interior do Estado da Bahia. Nesta versão local do rodeio norte-americano, caubóis derrubam touros em disparada enquanto os auto-falantes tocam música de forró a toda altura.

Será que a AmBev criará outras cervejas locais? "Essa tem sido uma experiência bastante positiva, mas, sob o ponto de vista econômico, não é todo dia que se consegue lançar um produto regional", explica Marcondes. "É preciso trabalhar com diversos fatores e é necessário um motivo bastante forte. O processo não pode ser banalizado."

Esse não é uma adjetivo que possa ser aplicado à Brahma Fresh. Servida apropriadamente resfriada (ou "estupidamente" gelada, conforme o jargão brasileiro), ela não apresenta nenhum problema para o paladar dos consumidores.

"Seria uma ilusão afirmar que já fizemos o suficiente", afirma Marcondes. "Sempre existem oportunidades. Quanto mais investimos nas pesquisas, mais entendemos o consumidor."

Tradução: UOL

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