FMI recomenda que países com superávit estimulem gastos domésticos

Chris Giles Em Istambul (Turquia)

O crescimento voltou à economia mundial, anunciou na quinta-feira (1) o Fundo Monetário Internacional (FMI), mas a futura recuperação será fraca a menos que os países com grandes superávits comerciais peguem o bastão como motores da demanda.

Para assegurar o crescimento sustentável a médio prazo, os países com superávit, incluindo a China, devem agir para estimular os gastos domésticos e aceitar a valorização de suas moedas, disse Olivier Blanchard, o economista chefe do FMI.
  • Stephen Jaffe/EFE

    O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn (ao centro), afirmou hoje que mesmo com o fim da recessão mundial o desemprego seguirá crescendo

A posição dura do FMI a respeito das medidas que a China, Alemanha, Japão e os exportadores de petróleo precisam adotar para assegurar a recuperação global está de acordo com as posições americanas a respeito dos desequilíbrios comerciais globais, além de colocar o fundo em rota de colisão com Pequim e Berlim.

Com a primeira atualização para cima nas previsões econômicas do FMI para os próximos dois anos, Blanchard disse que o relatório semestral Panorama Econômico Mundial mostrou que "a recuperação começou, os mercados financeiros estão normalizando e, na maioria dos países, o crescimento será positivo no resto do ano assim como em 2010".

O FMI prevê que o produto econômico mundial aumentará em 3,1% no próximo ano, após uma contração de 1,1% em 2009, uma revisão para cima de 0,6 ponto percentual para 2010 em comparação à sua previsão mais recente, em julho.

As economias emergentes crescerão mais rapidamente do que as economias avançadas, disse o FMI, com um crescimento médio de 5,1% nos países emergentes e apenas 1,3% nos países ricos.

Apesar do FMI ter afastado os temores de uma recessão de duplo mergulho, ele destacou que a recuperação provavelmente será "fraca segundo os padrões históricos".

Blanchard alertou que a recuperação seria lenta nos próximos meses por ser baseada em gastos públicos e na reativação das linhas de produção paradas das empresas, à medida que o estoque não vendido finalmente começa a ser movimentado. "Isso vale não apenas para os Estados Unidos e para a maioria dos países avançados, mas também para os países emergentes", ele disse.

O FMI também tem pouca esperança de que um crescimento rápido colocaria o produto mundial de volta ao caminho esperado antes da crise. Sua mais recente previsão do produto mundial é cerca de 10% mais baixa do que sua previsão em abril de 2007.

A médio prazo, Blanchard insistiu que o mundo precisa reequilibrar a demanda, com menor participação do setor público e maior do setor privado; e com menor participação dos países com déficit comercial, como os Estados Unidos, e maior daqueles com superávits comerciais.

"A força da recuperação mundial dependerá desses dois atos de reequilíbrio", ele disse.

Diferente dos líderes do G20, o FMI não se esquivou da necessidade de mudança nas políticas cambiais globais para promoção desse reequilíbrio. "É muito difícil ver como isso aconteceria com as taxas de câmbio atuais", disse Blanchard em uma coletiva de imprensa.

"Em geral, é muito difícil ver um reequilíbrio global sem uma valorização das moedas asiáticas."

Essa posição agressiva em prol da necessidade de um realinhamento cambial e do aumento na demanda nos países com superávit não será popular na Alemanha, Japão e China, que argumentam que não podem ser culpados por produzir bens que outros desejam comprar.

Mas Blanchard expressou confiança de que a resistência dos países com superávit logo cederá. "Eu acho que a diferença é que, desta vez, o reequilíbrio global poderá ser necessário para sustentar a recuperação", ele disse.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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