Há problemas à espera de Obama após a derrota de Chicago

Edward Luce Em Washington (EUA)

Mesmo após Chicago ter sido eliminada, os críticos ridicularizavam a viagem de Barack Obama a Chicago como sendo um exercício equivocado de "ginástica verbal". Mas o embaraço desta sexta-feira, com a eliminação da cidade no primeiro turno, provavelmente causará mais problemas a Obama nos Estados Unidos.

"Não vejo isso como um repúdio ao presidente ou à primeira-dama", afirmou David Axelrod, assessor de Obama e, assim como este, também ex-morador de Chicago. "A iniciativa não deu resultado, mas valeu a pena."

Nesta sexta-feira, vários profissionais da mídia, que já vinham questionando as prioridades do presidente, juntaram-se aos críticos direitistas de Obama.

De maneira mais imediata, é provável que a rejeição faça aumentar as dúvidas quanto à suposta confiança exagerada de Obama em si mesmo.
Embora ele tenha passado apenas algumas horas na capital dinamarquesa, e apesar do fato de que outros líderes estivessem presentes para fazer pressão pela escolha de suas cidades, Barack Obama fez a defesa de Chicago com base nas suas biografias. Ao personalizar a defesa da cidade, colocou a sua reputação em jogo.

"Há quase um ano, em uma noite límpida de novembro, pessoas de todas as partes do mundo reuniram-se em Chicago... para assistir aos resultados da eleição presidencial dos Estados Unidos", disse Obama ao comitê olímpico. "O interesse delas não era em mim como indivíduo... O interesse baseava-se na crença em que a experiência dos Estados Unidos com a democracia ainda condiz com um conjunto de aspirações e ideais universais... Portanto, eu rogo a vocês que escolham Chicago!".

As consequências da viagem quixotesca de Obama eclipsarão iniciativas mais importantes da Casa Branca, incluindo as tentativas do presidente de implementar um sistema universal de saúde, a sua revisão do papel dos Estados Unidos no Afeganistão e os esforços para recuperar a economia norte-americana. Também não ajudou o fato de a rejeição desta sexta-feira ter coincidido com o anúncio de que há mais 263 mil desempregados no país.

A derrota de Chicago também deverá reduzir o foco no sucesso de Obama nesta quinta-feira em Genebra, onde os Estados Unidos persuadiram o Irã a abrir para inspeções a sua segunda instalação para enriquecimento de urânio. Aquele momento foi, sem dúvida, uma comprovação da eficácia da estratégia de negociações usada por Obama. Nesta sexta-feira ele descreveu os esforços para que Chicago fosse escolhida como parte da sua iniciativa geral no sentido de voltar a conversar com o mundo.

"Eu disputei a Presidência porque acreditava profundamente que neste momento de definição os Estados Unidos têm uma responsabilidade no sentido de criar novas parcerias com as nações e os povos do mundo", declarou ele ao Comitê Olímpico.

Os apoiadores de Obama temem que o presidente tenha fornecido munição fácil aos críticos conservadores do diálogo internacional - uma postura que baseia-se implicitamente nos charmes persuasivos do presidente. Bill Gatson, um analista experiente, afirma: "O momento foi infeliz porque isso estraga uma boa história vinda de Genebra no que diz respeito ao Irã. A mídia em Washington é como um bando de jogadores de futebol de seis anos de idade: todos eles correm atrás da mesma bola".

É provável também que o episódio faça com que as pessoas voltem a se concentrar na rede política de Obama em Chicago. A ida do presidente a Copenhague teria sido solicitada por Valerie Jarrett, uma assessora da Casa Branca, e pelo ex-assessor Richard Daley, o prefeito de Chicago.
Michelle Obama também trabalhou para Daley.

Nesta quinta-feira, Rahm Emanuel, o chefe de gabinete de Obama, que também é de Chicago, provocou os críticos do presidente: "Nós garantiremos que eles terão alguns bons assentos assim que Chicago for escolhida para sediar os jogos olímpicos", disse ele à ABC News.

Tradução: UOL

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