Acordo musical é derrubado por determinação antitruste

Alistair Gray e Salamander Davoudi Em Londres

O acordo de fusão fechado pela Ticketmaster Entertainment e a Live Nation sofreu mais um contragolpe ontem após as autoridades antitruste jogarem água fria em seus planos de criar uma potência de música ao vivo.

Em determinação provisória, a Comissão de Competição disse que o laço entre a maior vendedora de ingressos dos EUA e a maior promotora de shows do mundo poderia "inibir severamente" o surgimento de um rival que competisse pelo mercado de venda de ingressos no Reino Unido.

O grupo combinado - que também envolveria o agenciamento de artistas e a propriedade de casas de show no mundo todo - poderia promover preços mais altos e piores serviços para consumidores, além de inibir a inovação, disse a comissão.

Contudo, as duas empresas norte-americanas estavam "otimistas" que o acordo, no fim, seria aprovado.

As autoridades nos EUA estão estudando a fusão, e o inquérito aberto pelo Departamento de Justiça é tido como um teste da disposição do governo Obama de reforçar a fiscalização antitruste.

Contudo, Simon Barnes, advogado de competição da Lovells, duvidou que a decisão de ontem influenciaria o Departamento de Justiça.

No Reino Unido, a conclusão da comissão baseou-se no impacto da fusão nas tentativas de outro grupo de venda de ingressos conquistar espaço no mercado. Apesar da Live Nation usar a Ticketmaster como seu principal agente, o acordo expira em dezembro e, antes do anúncio da fusão, a empresa assinara um acordo com a CTS Eventim, da Alemanha.

A comissão não pode proibir a fusão, mas pode forçar uma das duas empresas a dispor de sua divisão no Reino Unido ou a vender ingressos por uma rival como a CTS.

Christopher Clarke, diretor do inquérito, disse: "Acreditamos que, se a fusão prosseguir, a Live Nation vai procurar limitar seu relacionamento com a CST, e assim colocará em dúvida as perspectivas futuras da CTS no Reino Unido".

Com vendas anuais estimadas em US$ 6 bilhões (em torno de R$ 11 bilhões), o grupo combinado seria proprietário de 140 casas de shows no mundo, venderia 140 milhões de ingressos e faria 2.200 shows por ano.

As ações da CTS subiram 3,1%. O site Seatwave de vendas de ingressos do Reino Unido disse que a decisão será "ótima para os fãs".

"Essa decisão envia uma clara mensagem que promotores e empresas de ingressos não podem... forçar os fãs a usarem um único canal, de preço mais elevado", disse Joe Cohen, diretor executivo.

A comissão vai considerar as respostas das empresas e publicar seu relatório final até dia 24 de novembro.

Esta matéria contou com a colaboração de Kenneth Li, em Nova York.

Tradução: Deborah Weinberg

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