Crise financeira da Islândia faz com que McDonald's saia do país

Andrew Ward Em Estocolmo

A Islândia moveu-se ainda mais na direção da zona periférica da economia global nesta segunda-feira, quando o McDonald's anunciou o fechamento dos seus três restaurantes neste país atingido pela crise e afirmou que não pretende retornar.
  • Brian Snyder/Reuters

    Logotipo gigante da rede de fast food McDonald's nos EUA



Essa medida fará com que a Islândia, que foi um dos países de maior riqueza per capita do mundo até o colapso do seu setor bancário no ano passado, junte-se à Albânia, à Armênia e a Bósnia-Herzegovina em um pequeno grupo de países europeus que não têm McDonald's.

A perda dos Arcos Dourados demonstra a dimensão da queda econômica sofrida pela Islândia. Nos anos do boom econômico, anteriores à crise, os seus empresários, apelidados de "Atacantes Vikings", transformaram Reykjavik em um centro financeiro internacional e deram início a uma onda de compras frenéticas de títulos europeus de grande valor.

O McDonald's afirmou que os fechamentos são motivados pelo "clima econômico muito difícil" e pela "complexidade operacional única" de se fazer negócios em uma nação insular de apenas 300 mil habitantes localizada no Círculo Ártico.

A maior parte dos ingredientes usados pelo McDonald's na Islândia é importada da Alemanha - o que fez com que os custos dobrassem, já que a moeda do país, a krona, sofreu uma queda vertiginosa de valor, enquanto o euro se fortalecia.

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Magnus Ogmundsson, diretor-gerente da Lyst, a dona do franchise McDonald's na Islândia, diz que aumentos de preço da ordem de pelo menos 20% seriam necessários para gerar um lucro aceitável.

Tal medida faria com que o valor de um Big Mac ficasse bem acima dos US$ 5,75 (R$ 10) pagos pelo mesmo sanduíche na Suíça, país que tem os McDonald's mais caros, segundo o Índice Big Mac.

Ogmundsson admite que alguns clientes ficaram alarmados devido ao aspecto simbólico de uma marca tão conhecida abandonar a Islândia, mas outros reagiram positivamente. "Muita gente está satisfeita porque nós consumiremos mais produtos produzidos no próprio país", afirma.

Tradução: UOL

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