Governo do Brasil investiga blecaute que atingiu o país

Jonathan Wheatley Em São Paulo (Brasil)

O presidente do Brasil ordenou na quarta-feira (11) uma investigação urgente para determinar por que mais da metade do país ficou sem energia elétrica durante horas na noite de terça-feira. O vizinho Paraguai também ficou inteiramente às escuras, mas apenas por cerca de 15 minutos.

Ministro Edison Lobão culpa descargas atmosféricas, ventos e chuvas



O corte de energia elétrica, que segundo o Ministério de Minas e Energia brasileiro afetou 18 dos 27 Estados do país, gerou caos nas cidades, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, a capital.

Além disso, o blecaute gerou dúvidas em relação à confiabilidade da infraestrutura do país, menos de um mês após o Rio de Janeiro ter sido escolhido para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. O Brasil deverá também sediar a Copa do Mundo de Futebol em 2014.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou Edson Lobão, o ministro de Minas e Energia, a comparecer ao seu gabinete para explicar a causa da interrupção do fornecimento de eletricidade.

Milhares de passageiros não tiveram como se locomover quando os trens de metrô pararam e os ônibus não conseguiram dar conta do volume extra de passageiros. Houve vários relatos de acidentes de trânsito, já que a iluminação das ruas e os sinais de trânsito deixaram de funcionar, e também de assaltos a bares e restaurantes, bem como de outros crimes de rua praticados por bandidos oportunistas.

O blecaute começou às 22h15 da terça-feira e só terminou por volta de 2h45 da quarta-feira em São Paulo, embora em alguns lugares a eletricidade tivesse começado a retornar gradualmente antes da meia noite.
  • Ricardo Nogueira/Folha Imagem

    Apagão em vários Estados do país deixa cidades no escuro, como Santos, no litoral paulista

A princípio as autoridades afirmaram que o blecaute foi provocado por um problema na gigantesca usina hidroelétrica de Itaipu, que é administrada conjuntamente pelos governos brasileiro e paraguaio, e que fornece 20% da eletricidade brasileira e 90% da paraguaia.

Porém, a direção de Itaipu disse aos repórteres que a usina estava operando normalmente, sem no entanto fornecer eletricidade ao sistema devido a um problema com as linhas de transmissão.

Funcionários de Itaipu disseram que pelo menos uma (e provavelmente duas) linha de transmissão importante deixou de funcionar devido a raios ou ventos fortes, embora até o meio dia de ontem não houvesse uma explicação para o problema.

Os políticos de oposição não perderam tempo em afirmar que o blecaute foi provocado pela falta de investimentos no setor energético brasileiro, no qual a capacidade geradora encontra dificuldades para acompanhar a demanda. Em 2001 e 2002, o governo foi obrigado a introduzir um racionamento de energia elétrica depois que uma combinação de má administração e poucas chuvas - o Brasil obtém 85% da sua eletricidade de usinas hidroelétricas - resultou em escassez de eletricidade.

Na quarta-feira não havia sinais de que o blecaute desta semana tivesse sido provocado por uma falta de capacidade geradora, que o governo tem procurado incrementar com licitações para a construção de fontes geradoras alternativas, como usinas termoelétricas. Mais licitações estão programadas para este mês.
  • O governo atibui o apagão ao desligamento de três linhas de transmissão: duas que ligam Ivaiporã (PR) a Itaberá (SP) e uma que liga Itaberá à subestação de Tijuco Preto (SP). Mapa abaixo mostra como funciona o sistema de abastecimento no país

  • Fonte: Sigel e Itaipu Binacional
Mas o incidente fará com que aumente o clamor por maiores gastos com infraestrutura. Os investimentos públicos em infraestrutura diminuíram bastante nos últimos anos, enquanto os gastos com outras coisas, como as pensões a a folha de pagamento do setor público, cresceram significativamente.

A insuficiência da infraestrutura brasileira é frequentemente mencionada por políticos, economistas e empresas como sendo o maior empecilho para o crescimento. Tanta a Copa do Mundo quanto as Olimpíadas exigirão volumosos gastos dos setores público e privado, especialmente em infraestrutura de transporte.

Mas o setor de energia é tido como o mais significante gargalo na rota para o crescimento sustentado, especialmente neste momento em que o Brasil é uma das primeiras grandes economias do mundo a emergir de uma crise global, e quando se acredita que o país crescerá 5% em 2010.

O governo lançou o seu "programa de aceleração do crescimento", conhecido como PAC, em 2007, para investir R$ 503,6 bilhões em infraestrutura pública e privada, sendo que mais da metade dessa quantia está destinada aos projetos de energia. No total, R$ 67,8 bilhões viriam do governo federal e R$ 436,1 bilhões de companhias públicas e privadas.

Entretanto, menos da metade dos gastos planejados ocorreram até agosto deste ano, e o governo tem sido constantemente criticado pela lentidão em concretizar esses projetos.

Entenda a distribuição de energia no Brasil

  • Fonte: ONS



Tradução: UOL

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