Exploração de energia solar cresce no Oriente Médio

James Drummond

Para os padrões internacionais, o mundo árabe pode ser rico em petróleo e gás, mas mesmo suas reservas de hidrocarbonetos são limitadas. Em alguns Estados, como Bahrain, Jordânia, Dubai e Omã, o déficit de energia é evidente ou está prestes a acontecer.

Além disso, os países do Conselho de Cooperação do Golfo integram uma das regiões que mais consome energia no mundo, por causa de um histórico de subsídios para a energia e preços controlados.

Por isso, pensar sobre alternativas renováveis para o petróleo e o gás (e para a energia nuclear, que também tem sido considerada) não é simples especulação.
  • Joe Raedle/AFP

    Funcionário da empresa Pure Energy Solar instala painéis fotovoltaicos em telhado de prédio comercial em Gainesville, na Flórida


No ano passado, os Emirados Árabes Unidos comprometeram-se a suprir 7% da sua considerável demanda por energia a partir de fontes renováveis até 2020. Isso equivale a 1,5 GW de energia - um compromisso nada pequeno - diz Sami Khoreibi da Enviromena Power Systems. Essa empresa privada construiu uma usina de energia solar de 10 MW que está contribuindo com o fornecimento em Masdar City em Abu Dahbi, um centro de referência de neutralização de carbono e tecnologia ambiental.

Na maior parte do mundo, a energia hidrelétrica é a principal fonte de energia alternativa. Mas essa não é uma opção para a maioria dos países do Oriente Médio por causa da ausência de grandes rios e por serem cercados de mares de águas tranquilas. E a energia eólica não é muito atraente do ponto de vista econômico na região do Golfo porque os ventos ali não são fortes o suficiente, afirma a NCB Capital em um relatório recente intitulado Thinking Beyond Oil (Pensando Além do Petróleo).

A energia solar constitui o principal recurso natural. E nesse caso, assim como com o petróleo e o gás, o Oriente Médio é abençoado. A NCB Capital cita um estudo feito por Frazn Trieb do Centro Alemão Aeroespacial, que afirma que os maiores desertos árabes recebem, em média, por ano, o equivalente a 1,5 milhão de barris de petróleo por quilômetro quadrado.

"No final das contas, esse é um número bastante teórico", afirma Khoreibi. "Mas acho que podemos imaginar chegar nesse número."

"A África vai exportar tanta energia solar quanto cem usinas nucleares"

Hani El Nokraschy lidera um dos projetos mais sugestivos do planeta em termos de energias renováveis. Esse engenheiro de origem egípcia e estabelecido na Alemanha é o vice-presidente da Desertec, conglomerado de 12 empresas energéticas (uma delas a espanhola Abengoa) que planejam encher o deserto do Saara e o norte da África de usinas termossolares para exportar eletricidade através de linhas para a Europa. El Nokraschy resume a filosofia do projeto: "O deserto é muito rico. Em seis horas recebe mais energia solar do que toda a que é consumida pela humanidade em um ano. Marrocos e Espanha têm muita sorte de ter tanto sol".



Tampouco há falta de espaço para as fazendas solares. De toda a área dos países do Conselho de Cooperação do Golfo, 98,3% são terras impróprias para a agricultura e que não são cultivadas regularmente, afirma a NCB Capital.

Essas áreas recebem em média nove horas de luz solar por dia e têm pouca incidência de chuvas e nuvens. "As condições climáticas da região do Conselho de Cooperação do Golfo são extremamente propícias para o desenvolvimento da energia solar em grande escala", diz a NCB Capital.

Jarmo Kotilaine, autor do relatório da NCB, diz que a iniciativa de Masdar em Abu Dhabi é o exemplo mais provável de como seguir adiante.

Do ponto de vista econômico, da forma como as coisas estão hoje, a geração de energia solar dificilmente atrairá investimentos e pesquisa em grande escala por parte do setor privado. Ao invés disso, o governo precisa dar uma resposta e, no caso de Masdar, é o que está acontecendo.

Kotilaine acredita que o desenvolvimento em larga escala da energia solar poderá provavelmente ser utilizado em grande parte para a dessalinização da água. Isso porque a demanda por água é muito grande e não tem acompanhado as tendências industriais e demográficas, e também porque colocar um projeto de energia solar ao lado de uma usina de dessalinização gera sinergia.

Uma dúvida quanto à produção de energia solar no Oriente Médio está ligada ao acúmulo de areia do deserto que limitaria a produtividade dos painéis fotovoltaicos. Mas a Enviromena está usando pincéis para limpar os painéis regularmente.

"Nós descobrimos que esse é um programa de manutenção muito simples, que não tem o impacto no desempenho que muitos céticos acreditavam que teria", diz Khoreibi, que acrescenta que sua usina está funcionando como o planejado.

Tradução: Eloise De Vylder

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