Israel alerta contra plano unilateral de criação do Estado palestino

Tobias Buck Em Jerusalém (Israel)

Os líderes palestinos estão enfrentando crescente pressão de Israel para não darem andamento a um plano muito debatido, que resultaria em uma declaração unilateral de um Estado palestino nas fronteiras de 1967. A salva inicial foi disparada por Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro de Israel, que disse em uma conferência na noite de domingo que "qualquer tentativa unilateral (...) anulará os acordos existentes entre nós e levar a passos unilaterais por parte de Israel".

Seu alerta foi repetido na segunda-feira por Avigdor Lieberman, o ministro das Relações Exteriores, que foi citado pela imprensa israelense como tendo dito que "quem quer que promova uma política unilateral, em completo desrespeito a acordos anteriores, receberá o mesmo de nós".
  • Avi Ohayon/EFE - 22.set.2009

    O presidente americano, Barack Obama (centro), conversa com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu (à esquerda), e o Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, durante reunião trilateral no hotel Waldorf Astoria, em Nova York (EUA). Netanyahu deixou claro que qualquer decisão unilateral por parte dos palestinos resultará em uma decisão unilateral por parte de Israel



Outros políticos do governo israelense alertaram que Israel poderia responder a ações unilaterais dos palestinos anexando alguns dos assentamentos judeus localizados na Cisjordânia palestina ocupada.

A reação israelense foi uma resposta às recentes declarações de várias autoridades palestinas, que pedem pela declaração unilateral de um Estado palestino na Faixa de Gaza e Cisjordânia, tendo Jerusalém Oriental como a nova capital do país.

Essa medida marcaria uma ruptura radical com a política há muito estabelecida pela comunidade internacional de encerrar o conflito entre israelenses e palestinos por meio de negociações bilaterais, levando a "dois Estados para dois povos". Mas os palestinos argumentam que após quase duas décadas de negociações, eles ainda estão longe de atingir seu desejo por independência e um Estado. Eles também desconfiam de novas negociações com Israel, a menos que o governo concorde em congelar a expansão dos assentamentos judeus na Cisjordânia ocupada.

Frustrado com a falta de progresso diplomático, Mahmoud Abbas, o líder palestino veterano, anunciou neste mês que não tentaria uma reeleição para presidente da Autoridade Palestina.

A decisão de Abbas, que é amplamente considerado o defensor mais comprometido com as negociações no lado palestino, foi vista como um reconhecimento de que as negociações de paz chegaram a um beco sem saída. Também provocou um debate intenso, mas inconclusivo, entre as autoridades palestinas sobre estratégias políticas alternativas.

Até o momento, não está claro se e quando Abbas deixará o cargo e que tipo de líder e políticas o sucederá. Vários altos funcionários palestinos se opõem à ideia de uma declaração unilateral do Estado palestino, argumentando que seria perigoso e infrutífero para os palestinos fazê-lo sem o apoio da ONU.

Falando na segunda-feira, Saeb Erekat, o negociador-chefe palestino, disse que os palestinos não buscariam uma declaração unilateral, mas sim pediriam ao Conselho de Segurança da ONU o reconhecimento de um Estado palestino. Erekat acrescentou que foram políticas unilaterais israelenses -como a expansão dos assentamentos- que provocaram a atual crise.

Analistas e diplomatas de ambos os lados concordam que uma simples declaração ou reconhecimento do Estado palestino dificilmente teria algum impacto imediato em terra. Mas os defensores palestinos desse plano esperam que ele coloque nova pressão sobre Israel para sair da Cisjordânia ocupada e deslegitimar sua presença de 42 anos lá.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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