História em quadrinho sul-coreana alerta para ameaça do norte

Christian Oliver
Em Seul (Coreia do Sul)

Os serviços de segurança sul-coreanos apelaram para histórias em quadrinho e jogos de computador para alertar aos jovens "mal informados" que a Coreia do Norte nuclearmente armada continua sendo uma ameaça.

Nesta semana a polícia distribuiu uma revista em quadrinho chamada "Ji-Yong Viaja no Tempo" a crianças de dez a 15 anos de idade. Os quadrinhos contam a história de um garoto que viaja no tempo com o fantasma do seu pai em um dragão vermelho gigante.

Ele assiste à invasão do sul pela Coreia do Norte em 1950, além de ver a ditadura stalinista construída por Kim Il-sung, os atuais campos de trabalhos forçados, fome, armas nucleares e ataques pela Internet que paralisam websites em todo o mundo.

"Nós criamos esses quadrinhos baseados na descoberta de que a maioria dos jovens sul-coreanos não só é desinformada como tem uma visão altamente distorcida das questões relativas à segurança e à unificação", explicou a polícia. A organização citou uma pesquisa que demonstrou que 57% das crianças em idade escolar "não estão conscientes" da guerra coreana e que 60% das pessoas entre 20 e 30 anos de idade são incapazes de dizer quando a guerra começou.

As autoridades governamentais reclamam constantemente de que a geração mais nova não tem consciência da ameaça representada pela Coreia do Norte ou manifesta clara simpatia pelo vizinho comunista. Algumas autoridades culpam diretores de cinema liberais que fizeram filmes populares de ação nos últimos anos nos quais as distinções morais entre o norte e o sul são difusas.

Lee Myung-bak, o presidente da Coreia do Sul, adotou contra a Coreia do Norte uma postura mais dura do que a dos seus antecessores liberais que governaram o país durante dez anos, até 2008, e que tentaram atrair o norte para a chamada "política da luz do sol". Mas Lee faz uma distinção entre o povo norte-coreano e o governo da Coreia do Norte. Na sexta-feira ele enviou uma remessa de Tamiflu ao norte para ajudar a combater uma epidemia de gripe suína - a primeira remessa oficial de ajuda humanitária feita desde que ele assumiu o governo.

A polícia sul-coreana ficou alarmada neste ano quando um grupo de crianças de menos de 13 anos criou um grupo de mensagens na Internet elogiando Kim Il-sung e o seu filho e sucessor, Kim Jong-il. Seis crianças foram presas e ficaram detidas por pouco tempo por "ameaçarem a segurança nacional".

"No passado, a educação sobre segurança nacional era obrigatória e provocava hostilidades", explica a polícia. "Os quadrinhos infantis retratavam os soldados norte-coreanos como lobos e Kim Il-sung como um porco. Já estas novas revistas em quadrinho baseiam-se em fatos para ajudar as crianças a avaliarem de forma justa a questão".

Ji-yong vê os norte-coreanos passando fome, sussurrando dúvidas sobre o seu sistema político e sendo mortos a tiros quando tentam fugir do seu país. O sucesso econômico e a democracia da Coreia do Sul constituem-se em um contraste marcante com o norte quando o dragão sobrevoa Seul, uma ampla metrópole.

As revistas em quadrinho foram publicadas após o lançamento de "descubram o espião", um jogo de computador que a agência de inteligência da Coreia do Sul colocou online durante o último verão coreano.

Tradução: UOL

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