Agências americanas estão mal preparadas para combater terroristas residentes no país

Daniel Dombey
Em Washington

As Forças Armadas e as agências de contra-inteligência dos Estados Unidos estão mal preparadas para lidar com ameaças extremistas domésticas, disse ontem o secretário de Defesa americano Robert Gates, em comentários que destacavam os temores dos EUA a respeito de terrorismo criado em casa.

Ele falou após a conclusão de uma revisão interna do departamento de Defesa sobre os tiroteios de novembro na base militar de Fort Hood no Texas, onde o major Nidal Malik Hasan, psiquiatra do exército, foi acusado de matar 13 pessoas.

"Ficou evidente que, como um departamento, nós não fizemos o suficiente para nos adaptar à crescente ameaça contra a segurança interna das instalações militares e tropas americanas que surgiu na última década", disse Gates em uma coletiva de imprensa no Pentágono.

"Nesta área, assim como em muitas outras, este departamento está sobrecarregado por processos e atitudes do século 20, a maior parte deles enraizada na guerra fria. Nossos procedimentos de contra-inteligência são projetados para combater uma ameaça externa, como um serviço de inteligência estrangeiro".

Aumentaram as preocupações a respeito da inteligência dos EUA desde os tiroteios de Fort Hood, basicamente por causa do ataque frustrado a uma aeronave com destino a Detroit no dia de Natal, e do assassinato de sete espiões da CIA no Afeganistão por um agente triplo jordaniano.

A administração Obama se recusou a classificar as mortes em Fort Hood como terrorismo - ao contrário de sua descrição dos episódios em Detroit e no Afeganistão - apesar das críticas de conservadores americanos.

Mas preocupações sobre extremismo violento dentro dos EUA também foram atiçadas por vários outros casos, inclusive o da detenção de cinco estudantes do Estado da Virgínia no Paquistão, e o da acusação de David Headley, cidadão de Chicago, por ter feito trabalhos de monitoramento para os ataques de 2008 em Mumbai.

O relatório disse que as atuais políticas não davam autoridade aos comandantes para intervirem quando seus subordinados "fizessem contato ou estabelecessem relações com pessoas ou entidades que promovam auto-radicalização". Disse ainda que "nossos comandantes precisam dessa autoridade agora".

Gates disse estar tomando medidas seguindo a recomendação do relatório de que os supervisores do major Hasan sejam responsabilizados por suas falhas.

Tradução: Lana Lim

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