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23/01/2010

Terremoto no Haiti: Histórias de sobrevivência demonstram os limites da resistência

Financial Times
A resistência extraordinária de alguns seres humanos diante da adversidade extrema está sendo demonstrada de novo no Haiti, com mais de 120 pessoas resgatadas após passarem dias sob prédios desmoronados.

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Entre os retirados vivos após mais de uma semana estão um bebê, um menino em idade escolar e uma idosa. A sobrevivência é questão tanto de sorte quanto da psicologia do indivíduo.

"Há uma variação imensa entre os indivíduos em sua resposta a condições extremas", disse Mike Grocott, consultor de medicina intensiva da Universidade de Southampton. "Algumas pessoas conseguem tolerar a desidratação muito melhor do que outras.

Ele acrescentou que grande parte da variação é determinada geneticamente, apesar dos genes de fato responsáveis não serem conhecidos.

O principal fator de sobrevivência para alguém preso sob um prédio é não ter um ferimento físico que possa infeccionar ou causar perda de sangue.

Evitar inalar o pó espesso e tóxico, que pode causar danos aos pulmões, também é importante. E um fluxo adequado de ar de fora, por meio de frestas e buracos nas ruínas, é essencial; qualquer um preso em um pequeno bolsão de ar em um espaço fechado logo fica sem oxigênio.

A desidratação geralmente é um fator que limita a vida para alguém que sobrevive a um terremoto sem ferimentos e sem liberdade de movimento dentro de algum tipo de cavidade.

"A fome não mataria uma pessoa no prazo do qual estamos falando, mas a desidratação poderia", disse o dr. Grocott.

Pessoas já sobreviveram a mais de uma semana sem comer ou beber -o limite já registrado é 18 dias.

E há os fatores psicológicos para a sobrevivência. Pessoas que permanecem calmas em uma catástrofe têm melhores chances.

"Tentar escapar freneticamente não ajudará se não houver chance de fato de sair", disse o dr. Grocott, um especialista em sobrevivência em condições extremas. "Uma relativa passividade reduzirá seu ritmo de desidratação."

Os sobreviventes que são resgatados após passarem uma semana ou mais sem comer ou beber precisam ser reidratados de forma lenta e gentil. Muita água, rápido demais, pode causar um choque no corpo que pode lesionar os órgãos de modo fatal.

A reidratação gradual deve ser feita por meio de soro em uma unidade de terapia intensiva com equipamento de monitoramento, mas a reidratação oral é possível em uma emergência, como no Haiti.




Tradução: George El Khouri Andolfato

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