Taiwan atende demanda da China por TVs de tela plana

Robin Kwong e Paul Betts

Quando empresas manufatureiras leves taiwanesas começaram a se estabelecer na China há duas décadas, dando início ao processo que transformou a China na fábrica do mundo, a motivação delas era simples: mão-de-obra barata significava custos mais baixos.

Os fabricantes de telas planas de Taiwan agora deverão seguir seus passos e pedir a aprovação do governo para comecem a construir fábricas na China, pela primeira vez desde que Taipé relaxou as regras para investimento na China.

Os trabalhadores chineses serão novamente o motivo principal para a mudança, só que agora o atrativo é seu poder aquisitivo, em vez da produção.

A dura concorrência de uma enxurrada de nova capacidade na China, mais o fato da mão-de-obra agora exercer um papel relativamente pequeno na determinação dos custos, significa que fabricantes de telas planas, como AU Optronics e Chi Mei Optoelectronics, podem não obter economias significativas construindo fábricas do outro lado do estreito como no passado.

Mas a China continua sendo o mercado de televisores que mais cresce e o mais acirradamente disputado. A DisplaySearch estima que a China ultrapassará os Estados Unidos como o maior mercado de televisores daqui dois anos.

O interesse por televisores de tela plana também adquiriu tons cada vez mais políticos ao longo do ano passado.

Nove fabricantes chineses de televisores prometeram no mês passado comprar juntos US$ 5,3 bilhões (cerca de R$ 9,8 bilhões) em painéis de Taiwan neste ano, em um acordo intermediado pela Associação de Áudio e Vídeo da China, apoiada pelo governo, e pela entidade oficial de promoção do comércio de Taiwan.

A demonstração de um compromisso com o mercado final, portanto, parece um motivo tão bom para a mudança quanto a economia de custos.

Avanço da rede
O anúncio nesta semana pela France Telecom de que retomará o investimento na nova rede de fibra óptica do país pode ser visto como a mais recente evidência da distensão que acompanhou a chegada do presidente-executivo eleito, Stéphane Richard, como chefe do grupo francês de telecomunicações.

A suspensão no ano passado no investimento na rede de fibra óptica azedou ainda mais as relações já tensas entre a France Telecom e o órgão regulador das telecomunicações do país, a Arcep, o establishment político e, é claro, seus concorrentes domésticos. Richard, que foi catapultado ao comando dos negócios domésticos da France Telecom no final do ano passado, sem dúvida merece certo crédito pela melhoria geral no clima.

As relações com o órgão regulador agora estão de volta a um tom mais educado e a France Telecom está até mesmo cooperando com a arquirrival SFR em testes para estabelecer práticas de trabalho comuns, em zonas onde os aspectos econômicos da instalação da fibra ainda estão indefinidos.

Entretanto, a importância da decisão francesa desta semana em dar continuidade ao investimento inicial de 2 bilhões de euros na nova rede vai muito além da mudança de estilo e tom da France Telecom. De fato, ela também reflete um novo senso de urgência em todas as operadoras de telecomunicações europeias e talvez a necessidade de uma estrutura regulatória pan-europeia para facilitar a revolução digital iminente.

Durante o período de Natal, a O2, a subsidiária britânica de telefonia móvel da Telefónica, foi forçada a pedir desculpas a milhões de assinantes pelos grandes problemas em sua rede londrina. O fato era que a infraestrutura estava tendo dificuldade em acompanhar a utilização por seus clientes com telefones inteligentes. Um problema semelhante ocorreu em Nova York, onde a AT&T suspende as vendas do iPhone para evitar maior sobrecarga na rede.

O diretor tecnófilo de Richard, Didier Lombard, há muito tempo alerta que o tráfego de dados está aumentando em uma taxa antes inimaginável. Até o ano passado, o aumento médio ano a ano na França era de cerca de 5% a 10%. Mas nos últimos 12 meses, ele aparentemente se aproximou de 300%. As implicações são óbvias. Decisões de investimento não podem mais ser adiadas.

Os grupos de telecomunicações ainda hesitam diante da lembrança da implantação da tecnologia de telefonia móvel de terceira geração, quando vastas somas foram gastas em novas redes sem que existisse uma demanda para utilizá-las.

Uma década depois, o mundo não poderia ser mais diferente. Os telefones inteligentes, as redes sociais, jogos online, trabalho à distância e TV pela Internet estão resultando em um aumento da utilização que corre o risco de sobrecarregar a infraestrutura.

A France Telecom certamente foi sábia em abandonar o que estava se tornando um conflito em escalada perpétua com as autoridades regulatórias domésticas e suas concorrentes –um conflito que estava cada vez mais irritando seu mais importante acionista, o governo francês.

Mas como em tudo, a decisão é um exercício de interesse próprio esclarecido. Pois mesmo na França, onde a rede é reconhecida como uma das mais robustas na Europa, não há tempo a perder nos preparativos para uma explosão previsível da utilização.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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