Cientistas descobrem o segredo do envelhecimento, mas não o da vida eterna

Clive Cookson
em Londres

Um dos maiores mistérios da biologia, como e porque as células vivas envelhecem, foi solucionado por uma equipe internacional que trabalha na Universidade de Newcastle, no Reino Unido. A resposta é complexa – e não resultará em um elixir para a vida eterna em um futuro visível. Apesar disso, os cientistas acreditam que medicamentos melhores para doenças relacionadas à idade, como diabetes e cardiopatias, surgirão graças à descoberta que eles fizeram: a rota bioquímica vinculada ao envelhecimento.

A equipe de Newcastle, trabalhando em conjunto com a Universidade de Ulm, na Alemanha, utilizou uma abordagem abrangente de “biologia de sistemas”, envolvendo modelos computacionais e experimentos com culturas de células e ratos geneticamente modificados, para tentar descobrir porque as células começam a envelhecer. Neste estado, as células param de se dividir e os tecidos, que são compostos por elas, manifestam sinais físicos de deterioração, desde rugas na pele até a degeneração do funcionamento do coração.

A pesquisa, publicada pelo periódico “Molecular Systems Biology”, revela que quando uma célula envelhecida detecta um dano grave no seu DNA – causado pelos processos inerentes à vida – ela envia sinais internos específicos.

Esses sinais de alarme ativam as mitocôndrias da célula, os pequenos pacotes celulares produtores de energia, para que estas produzam moléculas oxidantes de “radicais livres”, que por sua vez dizem à célula que se autodestrua ou que pare de se dividir. O objetivo disso é evitar o DNA danificado, que pode provocar o câncer.

A descoberta da equipe de Newcastle minimiza o papel desempenhado pelos telômeros, as extremidades protetoras dos cromossomos humanos, que gradualmente tornam-se mais curtos à medida que nós envelhecemos.

“Tem havido muita especulação a respeito de como o bloqueio do processo de desgaste dos telômeros poderia curar o envelhecimento e as doenças vinculadas à idade”, diz Tom Kirkwood, diretor do instituto de Envelhecimento e Saúde da Universidade de Newcastle. “Esta história do telômero prometia mais do que a realidade; a biologia é mais complicada do que isso”.

Ele acrescentou: “a nossa descoberta significa que nós contamos com uma chance muito melhor de lançar um ataque de sucesso contra as doenças relacionadas à idade e, ao mesmo tempo, de evitar o risco de efeitos colaterais indesejados, como o câncer.

O colega dele, Thomas von Zglinicki, frisa que é preciso ter cautela durante o próximo estágio da pesquisa, no sentido de se investigar maneiras de prevenir a senescência celular.

“É absolutamente essencial que haja uma ação cuidadosa ao tentarmos alterar os processos que fazem com que as células envelheçam, porque a última coisa que desejamos é ajudar as células danificadas pela idade a libertarem-se para se tornarem malignas”, alerta von Zglinicki.

Tradutor: Danilo da Fonseca

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