Produtores brasileiros de etanol acertam fusão de R$7,3 bilhões

Jonathan Wheatley

Em São Paulo

Dois produtores brasileiros de açúcar e etanol concordaram na quinta-feira (17) em uma fusão, para criar aquela que esperam ser a maior empresa de biocombustíveis do país. 

  • Divulgação

    Lavoura de cana da ETH Bioenergia na unidade Eldorado, no Estado do Mato Grosso do Sul

A fusão, para criação de um grupo com um total de investimentos de R$ 7,3 bilhões até 2012, ocorre após um acordo de US$ 12 bilhões fechado neste mês entre a Royal Dutch Shell e a Cosan do Brasil. 

Ela fornece uma maior evidência do apelo do mercado de etanol do Brasil e da confiança de que os mercados estrangeiros se abrirão para o etanol brasileiro. 

O acordo de quinta-feira é entre a ETH Bioenergia, parte do grupo Odebrecht, um conglomerado brasileiro cuja principal atividade é construção e engenharia, e a Brenco, um grupo brasileiro de energia renovável que conta entre seus investidores com a Ashmore Energy de Houston, Texas, que investe em projetos de energia em mercados emergentes. 

O Brasil é o segundo maior produtor de etanol combustível depois dos Estados Unidos, mas sua indústria baseada em cana-de-açúcar é mais eficiente do que a americana, baseada em milho. 

Neste mês, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) americana reconheceu a cana-de-açúcar como sendo um combustível renovável de baixo carbono, reforçando as esperanças de que os subsídios e tarifas que atrapalham as exportações brasileiras de etanol possam começar a cair nos Estados Unidos, Japão e Europa. 

O grupo manterá o nome ETH Bioenergia e sua propriedade será dividida entre os acionistas da ETH, com 65% da empresa consolidada, e os da Brenco, com 35%. 

Ele pretende processar 40 milhões de toneladas de cana-de-açúcar até 2012, produzindo 3 bilhões de litros de etanol e 2.700 GWh de eletricidade em usinas de co-geração, gerando receitas projetadas de R$ 4 bilhões. 

Os dois grupos investiram R$ 3,8 bilhões na produção e processamento de cana-de-açúcar e possuem projetos em andamento que absorverão R$ 3,5 bilhões adicionais até 2012. 

  • Nelson de Almedia/wsj.com

    Cortadora de cana trabalha em canavial de uma usina de etanol na região sul do Brasil

A Cosan, com a qual a ETH Bioenergia disputará a liderança do mercado, produz 2 bilhões de litros de etanol por ano.

José Carlos Grubisich, presidente da ETH Bioenergia, disse que a decisão da EPA foi “um sinal definitivo e inequívoco de que o modelo brasileiro de etanol de cana-de-açúcar veio para ficar”. 

O mercado brasileiro consome cerca de 3 bilhões de litros de etanol combustível por ano. Quase 90% dos veículos leves novos vendidos no país possuem motores “flex”, capazes de rodar com gasolina, etanol ou qualquer combinação dos dois. 

Quase todos os postos de gasolina do Brasil vendem etanol, um legado de um programa do governo que data dos anos 70. A gasolina vendida no Brasil contém 25% de etanol. 

O sistema é visto como um modelo de como outros países poderiam fazer um melhor uso dos combustíveis renováveis. Mas as exportações representam apenas uma fração da produção brasileira, em parte devido à alta demanda doméstica e em parte devido às barreiras nos mercados dos países desenvolvidos. 

Grubisich disse que a decisão da EPA deve levar a uma remoção das barreiras nos Estados Unidos e no Japão, seguidos posteriormente pela Europa, e que a nova empresa buscaria oportunidades de investimento no Caribe, para atender ao mercado americano, e na África, para atender ao Japão.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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