Brasil reverte alívio monetário diante do temor de volta da inflação no país

  • Sergio Lima/Folha Imagem

    O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, durante coletiva sobre a redução de liquidez do sistema financeiro e a elevação dos depósitos compulsórios

O Banco Central do Brasil começou a reverter parte do alívio monetário promovido pela autoridade monetária durante o período da crise financeira mundial, indicando uma preocupação com a inflação.

O BC retirará de circulação cerca de R$ 71 bilhões entre março e junho, revertendo parcialmente uma redução nos depósitos compulsórios – a parte de seus depósitos que os bancos devem deixar no Banco Central como garantia – que soltou cerca de R$ 100 bilhões na oferta monetária com o início da crise em setembro de 2008.

“O Banco enviou um sinal de que está preocupado com a inflação”, disse Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco em São Paulo. “Acreditamos que ele começará a elevar as taxas de juros em março e reiniciar o ciclo de cortes de juros muito rapidamente, provavelmente até julho”.

Em resposta à crise, o Banco Central cortou sua taxa básica de juros, conhecida como Selic, de 13,73% no fim de 2008 para 8,75% em julho do ano passado, e a manteve inalterada desde então.

Mas com o Brasil emergindo de uma profunda mas curta recessão na segunda metade do ano passado, as pressões inflacionárias voltaram.

A expectativa é de que a economia cresça pelo menos 5,5% este ano, o que muitos economistas acreditam ser rápido o suficiente para fomentar a inflação.

A meta do governo para o índice anual de preços ao consumidor é de 4,5%; no último mês a previsão consensual do mercado para 2010 passou de 4,6% para quase 4,9%.

“Se você olhar para as expectativas inflacionárias e outras medidas de atividade como o desemprego e a utilização da capacidade, é difícil evitar a conclusão de que a economia está operando com muito pouca folga e que as pressões inflacionárias estão crescendo”, disse Marcelo Carvalho, economista-chefe para o Brasil da Morgan Stanley em São Paulo.

Isso quase que certamente deixará o Banco Central com a difícil tarefa, do ponto de vista político, de elevar as taxas de juros com a aproximação das eleições presidenciais, parlamentares e estaduais do Brasil, no mês de outubro.


 

Tradutor: Lana Lim

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