Sarkozy pede esforço internacional para financiar energia nuclear civil nos países em desenvolvimento

Peggy Hollinger e Ed Crooks

Em Paris (França) e Londres (Reino Unido)

  • Reuters

    O presidente francês, Nicolas Sarkozy, durante discurso na sede da União Europeia

    O presidente francês, Nicolas Sarkozy, durante discurso na sede da União Europeia

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, pediu na segunda-feira por um esforço internacional para financiar energia nuclear civil nos países em desenvolvimento, com um apelo ao Banco Mundial para reverter uma abstenção de 50 anos no financiamento da construção de reatores nucleares. 

O presidente francês também pediu à Organização das Nações Unidas para estender os créditos de carbono aos investimentos nucleares, para ajudar a superar as questões de financiamento que poderiam levar a uma “distorção nas opções de investimento dos países em desenvolvimento”.

Sarkozy, falando em uma conferência promovida pelo governo sobre energia nuclear civil, em Paris, disse que “eu não entendo, nem aceito, o ostracismo com que a energia nuclear é tratada no financiamento internacional. A situação atual significa que os países são condenados a depender de energia mais cara e que causa maior poluição”. 

Ele disse que bancos de desenvolvimento como o Banco Mundial e o Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento deveriam “se comprometer de modo dedicado ao financiamento desses projetos”. 

O pedido de Sarkozy por mudanças nas regras do financiamento internacional de energia poderiam ser bem-vindos pelos países em desenvolvimento que se perguntam como financiar esses projetos caros e de alto risco. Mesmo nos países desenvolvidos, o financiamento é difícil. 

Os Estados Unidos têm cerca de 30 novos reatores propostos –mas muitos na indústria acreditam que não mais que um punhado será construído na próxima década. Segundo a Agência de Energia Nuclear (NEA, na sigla em inglês), a construção de um reator custa cerca de US$ 4.600 por quilowatt, fazendo com que um reator de porte médio de 1.000 MW custe US$ 4,6 bilhões. A NEA estima que entre 100 e 400 reatores poderiam ser construídos até 2030. 

O Banco Mundial, que atualmente está revendo sua política de energia para os próximos 10 anos, apreciou na segunda-feira o pedido de Sarkozy. 

Mas Roger Morier, o porta-voz do Banco Mundial, disse que não há nenhum plano para mudar a política estabelecida em 1996, que proíbe o financiamento de novos reatores nucleares. Eles “ainda não são a opção de menor custo em muitas áreas”, ele disse. O Banco financiou um reator pela última vez em 1959, quando cobriu dois terços do custo de US$ 60 milhões de uma usina nuclear italiana. 

Mas Morier deixou aberta a possibilidade de que o banco possa rever a opção caso países clientes suficientes a peçam. “Nós reconhecemos que os governos clientes estão interessados nisso.” 

O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento disse que a política com a qual seus acionistas concordaram, que incluem todas as principais economias desenvolvidas do mundo, foi a de investir nas usinas nucleares existentes para melhorar sua segurança ou para desativar instalações obsoletas, não apoiar novas construções. 

O pedido de Sarkozy poderia encontrar apoio de outros países que consideram a energia nuclear como uma forma de salvaguardar a oferta de energia, combatendo ao mesmo tempo a ameaça do aquecimento global. Alguns países –a Alemanha em particular, com sua desconfiança pública profunda da energia nuclear– provavelmente permanecerão céticos. 

Outros podem considerar o pedido do presidente da França como motivada por interesse próprio. A França é uma das maiores geradoras de energia nuclear do mundo, com 58 reatores fornecendo 80% das necessidades elétricas do país.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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