Falta de consenso no Conselho da ONU ameaça planos de sanções ao Irã

Harvey Morris

  • Charles Dharapak/AP

    O presidente os EUA, Barack Obama, discursa em reunião do Conselho de Segurança da ONU

    O presidente os EUA, Barack Obama, discursa em reunião do Conselho de Segurança da ONU

Uma estratégia nuclear para conter as ambições nucleares do Irã está parecendo cada vez mais ameaçada quando os países ocidentais lutam para chegar a um consenso para a adoção de uma quarta série de sanções no âmbito das Nações Unidas.

Apesar da recusa de Teerã de aceitar o incentivo do relacionamento diplomático, a China e outros países do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) insistem que ainda é muito cedo para punir o Irã com sanções.

Os países ocidentais esperavam garantir a aprovação de medidas novas e mais duras no início deste ano. Mas as autoridades reconhecem agora que é improvável que se chegue a uma resolução relativa a sanções no Conselho de Segurança antes de junho, se é que se chegará a alguma resolução.

Não existe nenhum prazo para a implementação de medidas, mas os países ocidentais querem evitar um choque com uma conferência que revisará o tratado de não proliferação nuclear, na ONU, em Nova York, em maio. O Irã é signatário do tratado, e deverá tentar obter capital político com o encontro, mesmo sem o incentivo de um debate sobre sanções ocorrendo no mesmo prédio.

Os Estados Unidos e os seus aliados fizeram circular um modelo de possíveis sanções junto aos seus parceiros do “P5 mais Um” - o grupo composto pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha, também conhecido como o grupo das seis potências. A Rússia examinou as propostas, mas se recusou a discuti-las até que a China responda.

“No passado, os chineses escondiam-se atrás dos russos na hora de decidir sobre sanções”, afirmou um frustrado diplomata. “Desta vez é o contrário. O processo não está acabado. É simplesmente o jogo usual”.

A posição chinesa é de que ainda existe uma chance de se chegar a um acordo com o Irã, possivelmente envolvendo uma troca de combustível nuclear para abastecer um reator de pesquisa em Teerã, uma medida que poderia contribuir para gerar confiança. O ocidente mostra-se cético e diplomatas continuam prevendo que a China acabará aprovando as sanções.

Mas os seis países não realizam discussões conjuntas desde que a China insistiu, em janeiro, que é necessário dar mais tempo para que a diplomacia surta efeito.

A falta de um consenso enfraqueceria o P5 mais Um como fórum para a solução da questão nuclear iraniana. Segundo o diplomata, “os chineses dizem: 'O que acontecerá se as sanções não funcionarem?'. E nós respondemos: 'Qual é a alternativa?'”.

Mas a China adotou uma postura mais ativa em relação a uma série de questões na ONU e por ora não dá sinais de que cederá.

Se as grandes potências da ONU chegarem a um acordo, é quase certo que isto estará longe de resultar nas medidas “paralisantes” que o Ocidente vinha buscando para convencer o Irã de que a sua intransigência nuclear não compensará o sofrimento econômico.

Diplomatas ocidentais reconhecem que qualquer resolução que contenha medidas abrandadas, anunciada meses mais tarde por uma votação não unânime do Conselho de Segurança, poderia atrapalhar mais do que ajudar em se tratando de mandar um recado ao Irã de que o país está indo de encontro à vontade da comunidade internacional.

A China, que tem o poder de vetar qualquer resolução, não é o único país dissidente quanto à essa questão. Alguns membros não permanentes do conselho, especialmente o Brasil, a Turquia e o Líbano, também mostram-se inclinados a manifestar oposição a novas medidas.

“É extraordinariamente difícil obter o apoio para sanções no Conselho de Segurança na maioria das vezes”, afirma Carne Ross, um ex-diplomata do Reino Unido que participou da elaboração de sanções da ONU contra o Iraque de Saddam Hussein. “E isso é ainda mais difícil quando o Estado que é alvo de sanções não cometeu nenhum ato condenável segundo a lei internacional, como genocídio”.

Ross, que chefia a Independent Diplomat, uma firma de consultoria de Nova York, acredita que a melhor abordagem seria apresentar ao Irã algo mais do que uma oferta do tipo “pegar ou largar”, e tentar acalmar as preocupações do país quanto à sua segurança.

“Se em tal caso Teerã rejeitasse a mão que lhe fosse estendida, nós saberíamos que o Irã não estaria falando sério sobre um acordo”, afirma Ross.

Mas os Estados Unidos deverão aprovar as suas próprias sanções que imporão punições às companhias estrangeiras que fizerem negócios com o Irã.

A confiança inicial do Ocidente quanto às perspectivas de unanimidade na ONU podem ter sido o resultado de uma percebida mudança de postura por parte dos russo. Moscou mostrou-se enfurecida com a intransigência do Irã quanto às medidas para a fomentação de confiança oferecidas pelas seis potências. Mas a Rússia continua ambivalente quanto a punir Teerã.

Tradutor: UOL

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