Revolta global diante de política de assentamento israelense

Tobias Buck em Jerusalém e Isobel Gorst em Moscou

  • Bernat Armangue/AP

    Premiê israelense Benjamin Netanyahu fala com jornalistas estrangeiros em Jerusalém, Israel

    Premiê israelense Benjamin Netanyahu fala com jornalistas estrangeiros em Jerusalém, Israel

Israel ontem voltou a ser alvo de críticas da comunidade internacional por sua política de assentamento em Jerusalém Oriental, no mais recente sinal de tensões entre o Estado judeu e principais aliados.

O Quarteto do Oriente Médio –composto pelos EUA, União Europeia, Rússia e Organização das Nações Unidas- condenou o controverso projeto israelense revelado na semana passada de construir mais 1.600 casas para colonos judeus na parte oriental árabe de Jerusalém. As nações também pediram a criação rápida do Estado Palestino e um fim às “ações provocativas” dos dois lados.

A expansão do assentamento divulgada em má hora –durante a visita de alto perfil do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, a Israel– gerou uma rara discussão pública entre Washington e seu aliado no Oriente Médio. Também parece ter sido um golpe severo a um recente esforço diplomático americano para reiniciar as discussões de paz entre Israel e os palestinos.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tentou a semana todo acalmar as tensões com Washington e deve continuar durante sua visita aos EUA na semana que vem. O presidente norte-americano, Barack Obama, deveria estar fora durante a visita de Netanyahu, mas decidiu cancelar uma viagem planejada para Indonésia e Austrália por razões políticas internas, potencialmente pavimentando o caminho para um encontro com o líder israelense.

O governo norte-americano quer que o primeiro-ministro israelense demonstre seu compromisso com o esforço de paz com medidas como o cancelamento do mais recente projeto de assentamento. Até agora, contudo, Netanyahu recusou-se a se distanciar publicamente do plano e eliminou a possibilidade de congelamento das atividades de colonização em Jerusalém Oriental.

Autoridades israelenses e americanas disseram que o primeiro-ministro conversou com Hillary Clinton na noite de quinta-feira, uma discussão descrita pela secretária de Estado norte-americana como “útil e produtiva”.

A julgar pela declaração do Quarteto e a reação israelense, continua considerável o vão entre Israel e a comunidade internacional nas questões dos assentamentos, das negociações e da abertura dos cruzamentos para a faixa de Gaza. Além do texto duro sobre Jerusalém Oriental, o grupo também pediu a criação de um Estado palestino “24 meses” após o início das conversas –um prazo que Israel com certeza rejeitará.

Sergei Lavrov, ministro de relações exteriores russo, também ressaltou que as condições exigidas para o início das negociações de paz tinham que ser respeitadas. “Temos certeza que Israel vai ouvir tudo isso e compreender corretamente”, disse ele.

Diplomatas israelenses criticaram a declaração do Quarteto, dizendo que parecia colocar toda a responsabilidade do atual impasse em Israel, e pouca nos palestinos.

Avigdor Lieberman, ministro de relações exteriores, disse: “O Quarteto está ignorando os últimos 16 anos de tentativas israelenses e está dando aos palestinos a impressão que podem ter suas demandas atendidas mesmo que continuem se recusando a fazer negociações diretas sob falsos pretextos.”

A coalizão de direita do governo de Netanyahu está determinada evitar concessões a Washington que possam comprometer a suposta soberania israelense sobre Jerusalém Oriental.

Em uma pesquisa publicada pelo jornal “Yedioth Ahronoth” ontem, 46% dos entrevistados disseram que o governo deveria congelar a construção de assentamentos em Jerusalém Oriental. Uma pesquisa publicada no “Haaretz” ontem chegou à conclusão similar.

Tradutor: Deborah Weinberg

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