Depois da Grécia, agora é a vez de Portugal enfrentar as desconfianças na zona do euro

Peter Wise

Em Lisboa (Portugal)

  • Nacho Doce/Reuters

    Bandeiras de Portugal penduradas em prédio comercial de Lisboa, a capital do país

    Bandeiras de Portugal penduradas em prédio comercial de Lisboa, a capital do país

O Parlamento de Portugal votará hoje um plano de austeridade de quatro anos, depois que a confiança internacional nas finanças públicas da nação foi abalada por um rebaixamento da nota de sua dívida soberana.

A medida da agência de classificação de risco Fitch Ratings poderá aumentar a pressão por um acordo da zona do euro sobre ajuda financeira para a Grécia, entre temores de que a crise da dívida possa se espalhar para outros países do sul da Europa.

Fernando Teixeira dos Santos, o ministro das Finanças de Portugal, pediu ontem a partidos de oposição que enviassem um “sinal inequívoco” de que o plano de um governo minoritário de cortar um crescente déficit orçamentário tinha apoio entre partidos.

Seu apelo veio enquanto a Fitch rebaixava seu rating para a dívida de longo prazo de Portugal de AA para AA-, demonstrando preocupação com o possível impacto da crise mundial sobre o crescimento econômico e a dívida pública.

O rebaixamento colocou Portugal no mesmo nível que a Irlanda, a Itália e Chipre em termos de rating de sua dívida soberana – dois pontos acima da Grécia, que tem um rating Fitch de BBB+.

A Fitch disse que sua decisão refletia o “significativo mau desempenho orçamentário” em 2009, quando o déficit orçamentário do país disparou para uma alta recorde de 9,3% do PIB – contra 2,7% no ano anterior.

Douglas Renwick, um diretor-sócio da Fitch, disse que isso era um “choque fiscal considerável” que tinha se somado a fragilidades econômicas e estruturais, reduzindo a capacidade creditícia de Portugal.

Ele disse que o programa de estabilidade e crescimento que Lisboa apresentará em breve à Comissão Europeia era “bastante convincente”.

Mas disse ainda que era baseado em números estimados de crescimento para 2012 e 2013 que poderiam levar a “decepção” e “mau desempenho”.

Analistas internacionais também questionaram os programas de redução de déficit na Grécia e na Espanha, por serem baseados no que eles veem como previsões de crescimento excessivamente otimistas.

Entretanto, Teixeira dos Santos disse que não via necessidade para medidas adicionais de austeridade em resposta ao rebaixamento do rating.

A votação de hoje foi descrita pelos líderes da oposição como equivalente a um voto de confiança a um governo minoritário. A expectativa é de que o plano seja aprovado com a abstenção de partidos à direita dos socialistas governistas.

O programa pretende reduzir o déficit para 2,8% do PIB em 2013, um corte de cerca de 9 bilhões de euros, de 14 bilhões de euros para cerca de 5 bilhões de euros (R$ 12 bilhões). Medidas incluem um congelamento de salários do setor público, cortes nos gastos do setor militar e aumento de impostos.

Com esse plano, estima-se que a economia, que contraiu 2,7% no ano passado, se recuperará gradualmente até alcançar um crescimento de 1,7% em 2013. O desemprego, que atualmente está em 10,5%, está previsto para permanecer acima de 9%.

Tradutor: Lana Lim

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