Emissão de títulos gregos testará pacote de resgate

Pelos repórteres do FT*

  • Petros Giannakouris/AP

    Reflexo em capacete de bombeiro mostra policiais alinhados em frente ao parlamento grego durante protesto contra o governo, em Atenas

    Reflexo em capacete de bombeiro mostra policiais alinhados em frente ao parlamento grego durante protesto contra o governo, em Atenas

A Grécia deverá fazer uma emissão multibilionária de títulos na próxima semana, em um teste vital da confiança no pacote de resgate acertado pelos líderes da zona do euro para o país em crise.

“Nós gostaríamos de retornar ao mercado ainda em março”, disse Petros Christodoulou, chefe da agência de gestão da dívida pública, ao “Financial Times” na sexta-feira (26). Atenas quer tomar um empréstimo de 5 bilhões de euros (R$ 12,3 bilhões) junto ao mercado de títulos, ele disse.

Os comentários de Christodoulou foram feitos após um acordo acertado em Bruxelas entre os líderes da zona do euro a respeito de um plano de resgate, que incluiu o Fundo Monetário Internacional (FMI) e empréstimos bilaterais coordenados entre países na zona do euro a taxas de juros de mercado.

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As ações e títulos gregos subiram com o acordo, acertado após a França e a Alemanha terem concordado com os princípios do resgate, enquanto o euro se valorizou frente ao dólar. George Papandreou, o primeiro-ministro grego, saudou o acordo como “um resultado muito bom para nosso país”.

“Os líderes da União Europeia foram bem-sucedidos em proteger nossa união e nossa moeda comum”, ele disse no final do encontro de cúpula da União Europeia, em Bruxelas. Mas ele insistiu que não pretende pedir dinheiro aos parceiros da Grécia na zona do euro. “Nós esperamos não precisar pedir, porque estamos fazendo nosso trabalho”, ele disse. “Nós tivemos uma reação positiva tanto de nossa população quanto dos mercados.”

 

O acordo para a Grécia representou uma derrota para o Banco Central Europeu, que era contrário a um maior envolvimento do Fundo Monetário Internacional.

Em uma entrevista de vídeo ao FT, Lorenzo Bini Smaghi, um membro do conselho executivo do BCE, disse que “delegar ao FMI não é uma solução a longo prazo”. A zona do euro precisa de um mecanismo para que “se algo assim vier a acontecer de novo, nós teremos instrumentos para lidar com isso”.

A Grécia deverá emitir um título de três anos ou um título de sete anos, que será seguido em abril por uma emissão de tamanho semelhante. Atenas precisa levantar 10 bilhões de euros (R$ 24,6 bilhões) para refinanciar a dívida que vencerá no próximo mês. Mas os analistas alertaram que o rendimento dos títulos gregos, que sobe inversamente aos preços, demorará para cair.

“Fazer com que os spreads gregos caiam ao nível dos de Portugal poderá levar de oito a 12 meses e dependerá de nosso desempenho fiscal”, disse um banqueiro grego.

*Por David Oakley, em Londres (Reino Unido), Kerin Hope, em Atenas (Grécia), Quentin Peel, em Bruxelas (Bélgica), e John Thornhill, em Cernobbio (Itália)

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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