China é repreendida pelos líderes do G20 por descumprimento de acordos econômicos

Chris Giles, em Londres, e Alan Beattie, em Washington

  • Dominique Faget/AFP - 2.abr.2009

    Os presidentes Hu Jintao (abaixo), da China, e Barack Obama, dos Estados Unidos, e Dmitri Medvedev (à dir.), da Rússia, durante encontro do G20

    Os presidentes Hu Jintao (abaixo), da China, e Barack Obama, dos Estados Unidos, e Dmitri Medvedev (à dir.), da Rússia, durante encontro do G20

Cinco membros proeminentes do grupo das 20 principais economias mundiais, incluindo os Estados Unidos e o Reino Unido, enviaram na terça-feira (30/01) um recado de irritação à China devido ao fato de Pequim não ter cumprido acordos econômicos.

Em uma carta aos outros países do Grupo dos 20 (G20) que manifesta frustração com o progresso lento feito neste ano, os líderes advertiram: “Sem ação cooperativa para fazer os ajustes necessários para a obtenção de um crescimento vigoroso e sustentável, continua existindo o risco de futuras crises e baixo crescimento”.

As autoridades que representam o G20 disseram que a carta – assinada por Stephen Harper e por Lee Myung-bak, os líderes canadense e sul-coreano que serão os anfitriões nas duas reuniões do grupo neste ano, por Barack Obama, o presidente dos Estados Unidos, por Gordon Brown, o primeiro-ministro do Reino Unido, e por Nicolas Sarkozy, o presidente francês – é uma tentativa de restaurar o dinamismo no processo internacional.

Ottawa e Seul temem que as reuniões do G20 que serão sediadas por estas capitais em junho e em novembro, respectivamente, possam não atender às expectativas.

Em uma medida que irritará a China, os cinco líderes mencionaram especificamente a questão das taxas de câmbio em relação à redução dos desequilíbrios das balanças comerciais, um tópico que o G20 evitou em 2009 para ajudar a garantir que houvesse um acordo nas reuniões de Londres e de Pittsburgh.

“Nós precisamos elaborar estratégias cooperativas e trabalhar juntos para garantir que a nossas políticas fiscais, monetárias, comerciais e estruturais, bem como o câmbio, sejam coletivamente consistentes com um crescimento forte, sustentável e equilibrado”, diz a carta.

O documento foi divulgado em meio a um intenso debate em Washington sobre como a Casa Branca deveria confrontar Pequim no que diz respeito à força da moeda chinesa, o yuan. Alguns parlamentares norte-americanos estão intensificando os apelos para que a China seja classificada no próximo relatório congressual como um país manipulador de câmbio.

Charles Schumer, o terceiro democrata mais antigo do Senado, solicitou novamente nesta semana a adoção de uma legislação que permita aos Estados Unidos incluir estimativas de desajustes cambiais ao calcular tarifas anti-subsídios que serão impostas sobre as importações.

Além de recusar-se a ceder quanto à sua moeda, a China tem, neste ano, obstruído o processo do G20. Ela frustrou as tentativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) de criar um relatório que, segundo disse Dominique Strauss-Kahn, diretor da instituição, ao “Financial Times”, em janeiro último, concluiria que estratégias nacionais para o crescimento em todo o mundo “não teriam apresentado resultados”.

A carta também faz advertências em relação à chamada Rodada Doha de conversações sobre o comércio global, que está virtualmente paralisada após o colapso das negociações em 2008.

“Com relação à Doha, precisamos determinar se podemos alcançar o nível maior de ambição necessário para tornar possível um acordo”, diz a carta.

Tradutor: UOL

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