Itaú Unibanco inicia a exploração do mercado financeiro japonês

Lindsay Whipp

Em Tóquio (Japão)

  • Alex Almeida/Folha Imagem

    Roberto Setubal (à esq.), presidente do banco Itaú, e Pedro Moreira Sales, presidente do Unibanco, durante entrevista coletiva onde falam sobre a fusão das instituições, em São Paulo

    Roberto Setubal (à esq.), presidente do banco Itaú, e Pedro Moreira Sales, presidente do Unibanco, durante entrevista coletiva onde falam sobre a fusão das instituições, em São Paulo

O Itaú, um dos maiores bancos do Brasil, está se expandindo no Japão para explorar uma demanda de investidores institucionais, depois de captar mais da metade do recorde de US$ 22 bilhões em fluxos de fundo de investimento dos pequenos investidores do país asiático para o Brasil.

O Itaú abriu uma empresa de gestão de ativos em Tóquio, que oferecem conselhos de investimentos, e acesso a fundos offshore aos investidores institucionais japoneses.

O banco também está planejando se unir a parceiros locais para oferecer fundos offshore.

O Itaú disse ter obtido US$ 11,5 bilhões em ativos sob gestão, desde que começou a oferecer fundos de investimento para pequenos investidores japoneses com parceiros domésticos três anos atrás, ajudado pelo forte crescimento econômico do Brasil.

De acordo com a Associação de Empresas de Investimentos do Japão, os pequenos investidores possuem 2,05 trilhões de ienes (R$ 38,2 bilhões) em fundos de investimento brasileiros.

O Itaú espera atingir um sucesso parecido com clientes institucionais no Japão, como fundos de pensão, que ainda não investiram pesado em mercados emergentes.

"Eu vejo duas ondas de investimento no Japão", explicou Roberto Nishikawa, presidente da corretora do Itaú.

"A primeira vem de pequenos investidores que pedem por investimentos alternativos o tempo todo, e a segunda onda... é de investidores institucionais".

O Japão é um mercado importante para gestores de ativos explorarem tanto pequenos investidores quanto institucionais. Os primeiros têm enormes ativos financeiros domésticos de cerca de 1.456.000 bilhões de ienes, dos quais mais da metade está presa em depósitos bancários que rendem minúsculas taxas de juros, algumas com até 0,05%, deixando muito espaço para uma mudança para classes de ativos mais arriscadas.

Enquanto isso, muitos fundos de pensão japoneses estão cada vez mais interessados em investimentos no exterior, em busca de retornos melhores, necessários para cuidar de planos carentes de recursos.

Nishikawa não quis dar uma meta para o novo negócio institucional no Japão.

Entretanto, ele disse que o Itaú pretende aumentar para 20% a fatia estrangeira do total de seus US$ 154 bilhões em ativos sob gestão, em três anos, a partir de seus 9,1%, ou US$ 14 bilhões de agora. Ele também espera que o total de ativos sob gestão cresça durante esse período.

Considerando que a grande maioria desses US$ 14 bilhões já é de pequenos investidores japoneses, não seria absurdo esperar que uma quantia substancial do crescimento no exterior também possa vir do Japão.

O Itaú foi o primeiro banco de um dos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) a abrir uma corretora no Japão.

O Japão também possui uma relação singular com o Brasil, que é lar da maior população de imigrantes japoneses do mundo.

O ano passado marcou o 100º aniversário desde que o primeiro navio de imigrantes japoneses zarpou para o Brasil.

Tradutor: Lana Lim

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