Ciberespiões da China roubam dados secretos indianos

Kathrin Hille, em Pequim (China), e James Lamont, em Nova Déli (Índia)

  • Frederic J. Brown/AFP

    Jovem navega na web em um café com acesso à internet em Pequim, na China

    Jovem navega na web em um café com acesso à internet em Pequim, na China

Uma rede de ciberespiões que aparentemente atua na China roubou informações sigilosas relevantes para a segurança nacional indiana de um host de computadores comprometidos, segundo revelou uma investigação independente.

Especialistas da Universidade de Toronto disseram ter recuperado avaliações secretas da situação da segurança em alguns Estados indianos, informações pessoais sobre um oficial militar de alta patente e informações referentes a pedidos de visto de entrada na Índia a partir do Afeganistão.

As revelações, em um relatório publicado ao final da última segunda-feira, deverão elevar os temores da Índia em relação ao seu vizinho. Elas também fazem com que aumente a pressão sobre Pequim para tomar providências quanto aos ataques de hackers a partir da China.

“Nós queremos trabalhar com a China... no sentido de acabar com essa rede de malwares”, disse Nart Villeneuve, um dos pesquisadores envolvidos.

Usando domínios que foram abandonados pelos hackers, os pesquisadores recuperaram dados roubados de 44 computadores em nove países. Trinta e cinco das máquinas estavam na Índia.

A Índia está levando muito a sério a capacitação da China na área de cyberwarfare (guerra pela Internet). No entanto, autoridades indianas graduadas acreditam que a considerável capacidade do seu país na área de software pode ser mais usada para ajudar a proteger os seus sistemas de computadores.

Na semana passada, a Symantec anunciou resultados de pesquisas que demonstram que a China tornou-se a maior fonte de ataques direcionados contra alvos específicos em março e que houve vários casos no ano passado em que endereços chineses de IP foram identificados como sendo a localização de origem dos ataques pela Internet.

A China afirmou repetidamente que é uma vítima da ação de hackers, e repeliu as suspeitas de que alguns hackers pudessem estar trabalhando para o governo ou as forças armadas do país.

Os responsáveis pela investigação da Universidade de Toronto dizem que não possuem evidências diretas de envolvimento do governo chinês na operação de espionagem.

No entanto, essa investigação foi mais além do que uma anterior, ao localizar um indivíduo na cidade chinesa de Chengdu e determinar que havia ligações dessa pessoa com uma universidade daquela cidade e com o submundo dos hackers chineses.

“A ciberespionagem assumiu dimensões industriais”, afirma Rafal Rohozinski, o principal investigador do Monitor de Ações de Guerra de Informação, que foi co-autor do relatório.

“Nós estamos presenciando técnicas nebulosas e estratégias do crime cibernético sendo reformuladas para o ataque a sistemas governamentais e a computadores pertencentes a autoridades que estão de posse de segredos de Estado ou comerciais”.

Tradutor: UOL

UOL Cursos Online

Todos os cursos