Imigração é tópico importante na campanha eleitoral britânica

James Boxell*

Em Londres (Reino Unido)

  • Barry Batchelor/AP

    Integrantes do Partido Conservador comemoram no Reino Unido a perda de força dos blocos partidários tradicionais, que perdem espaço no Parlamento Europeu

    Integrantes do Partido Conservador comemoram no Reino Unido a perda de força dos blocos partidários tradicionais, que perdem espaço no Parlamento Europeu

Neste momento em que os três principais partidos políticos britânicos partem para a batalha de olho na eleição geral do mês que vem, a imigração emergiu como uma questão fundamental para muitos eleitores.

Uma pesquisa de opinião realizada no mês passado pela Ipsos/Mori perguntou aos entrevistados que questões eles consideravam “muito importantes” nesta eleição. “Asilo e imigração” foi a quarta questão mais importante da lista, atrás da economia, da saúde e da educação; e bem a frente de outras como o Afeganistão e o desemprego.

Para o governo trabalhista de Gordon Brown, a imigração é um tópico que representa enormes problemas. Ministros subestimaram enormemente o número de trabalhadores europeus orientais que viriam para o Reino Unido após a expansão da União Europeia em 2004. Esse fato provocou a maior onda de imigração na história do Reino Unido.

Isso, por sua vez, gerou temores entre os eleitores brancos da classe trabalhadora de que os imigrantes estejam tomando empregos e provocando a redução de salários em um período de desemprego crescente.

Apesar disso, David Cameron, líder dos conservadores de centro-direita, pouco está falando sobre essa questão na sua campanha. Isso contrasta bastante com as táticas conservadoras na eleição de 2005, quando o líder Michael Howard tentou explorar a insatisfação pública com os imigrantes.

Alguns conservadores acreditam que o fato de Cameron não explorar essa ansiedade pública é um erro. “É como deixar Wayne Rooney no banco de reservas”, afirma Tim Montgomerie, editor de um website conservador influente, referindo-se ao astro do Manchester United e da Seleção Inglesa de Futebol.

No entanto, Cameron tem bons motivos para fazer silêncio quanto a esse assunto. Uma recente pesquisa YouGov revelou que os conservadores já contam com uma vantagem de 23 pontos sobre os trabalhistas quando se pergunta aos eleitores em que partido eles confiam mais para lidar com essa questão. Muitos eleitores não gostaram da maneira como Howard falou sobre a imigração na campanha de 2005.

Muitos especialistas em imigração argumentam que os políticos exageram as consequências econômicas da imigração. O Centro de Migração, Política e Sociedade da Universidade de Oxford diz que o impacto dos trabalhadores estrangeiros sobre os empregos é “mínimo” e que o impacto sobre os salários é “extremamente reduzido”.

Os pesquisadores da Universidade de Oxford argumentam que o principal motivo pelo qual os trabalhadores estrangeiros ingressam no no Reino Unido é o fato de muitos empregos britânicos serem “mal pagos, inseguros e de baixa qualidade”. Isso significa que os cidadãos britânicos não estão dispostos a encarar esses empregos, o que cria uma demanda por uma grande força de trabalho estrangeira.

Existe também pouca diferença entre a abordagem dos conservadores e a dos trabalhistas. Os tories (conservadores) dizem desejar que o número de imigrantes no Reino Unido volte ao nível da década de noventa, quando entravam no país cerca de 40 mil ou 50 mil imigrantes por ano. Eles pretendem fazer isso estabelecendo um limite para o número de trabalhadores qualificados que vêm de fora da União Europeia. Os trabalhistas já começaram a reduzir o número de trabalhadores não pertencentes à União Europeia por meio de um sistema baseado em pontos no estilo australiano.

Entretanto, muitos britânicos acreditam que a imigração para o país está descontrolada. E isso é algo muito mais prejudicial para o partido que está no poder há 13 anos do que para aquele que deseja substituí-lo. 

James Blitz contribuiu para esta matéria.

Tradutor: UOL

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