Movimento Tea Party pode ser desastroso para os republicanos

Edward Luce

  • Chip Somodevilla/Getty Images/AFP

    Centenas de manifestantes do Tea Party protestam contra o governo Obama, em Washington

    Centenas de manifestantes do Tea Party protestam contra o governo Obama, em Washington

O Tax Day, último dia para entregar o imposto de renda, costuma ser um momento que a maioria dos norte-americanos tenta esquecer o mais rápido possível. Na semana que vem, entretanto, o Movimento Tea Party, irritado e altamente motivado, pretende transformar o Tax Day de 15 de abril numa experiência memorável.

Com protestos planejados em mais de 50 cidades, o movimento popular também convergirá em Washington para protestar contra o que, segundo seus integrantes, é a maior interferência do governo sobre a economia na história norte-americana. Longe de aquietar os protestos, os organizadores do Tea Party acreditam que a vitória do presidente Barack Obama no mês passado ao aprovar o projeto de lei para a saúde apenas aumentou a irritação dos partidários do movimento.

“Até agora o movimento conservador não teve nenhuma verdadeira brigada antigastos”, diz Grover Norquist, chefe do grupo ativista Americanos pela Reforma Tributária, que exerce constante pressão sobre os legisladores republicanos para votarem contra o aumento de impostos em qualquer circunstância.

“Existia o grupo antiarmas dizendo deixe minha arma em paz, os pais que educam seus filhos em casa [e tiram seus filhos das escolas] e empresas dizendo deixe meu negócio em paz. Agora temos um movimento antigastos e ele chegou para ficar.”

Em poucos meses, os integrantes do Tea Party, que tem esse nome em referência ao protesto anticolonialista em Boston em 1773, transformaram o partido Republicano num movimento de protesto antigovernista. Embora o ódio à “máquina socialista secular” de Obama seja o fator que mais os motive, os Republicanos estão em primeiro lugar em sua linha de fogo.

Antes visto como um movimento tradicional conservador, a reação adversa contra Lindsey Graham, senador republicano da Carolina do Sul, tipifica sua capacidade de modificar a realidade política. Graham provocou a ira dos partidários do movimento ao tentar trabalhar junto com senadores democratas na reforma bipartidária da imigração e no projeto de lei para a energia limpa.

Por ter a audácia de sugerir que é possível trabalhar junto com os democratas, o ex-advogado da Força Aérea agora é alvo de protestos incansáveis do Tea Party. “O senador Graham transformou-se num pária”, diz Matt Kibble, presidente do Freedom Works, um dos maiores grupos do Tea Party. “Nós trabalhamos muito próximos a grupos conservadores da Carolina do Sul para garantir que ele entenda as consequências disso.”

Outros republicanos que são alvo do Tea Party incluem Bob Bennett, senador por Utah, que foi considerado muito liberal em sua atuação no comitê de apropriações, e Charlie Crist, governador da Flórida, que enfrenta o quase icônico Marco Rubio numa disputa preliminar pela nomeação para o Senado Republicano.

Crist, que recentemente deu a entender que pode concorrer como independente se não for nomeado pelos republicanos, atraiu uma antipatia especial por ter aceitado dinheiro de estímulo federal em 2009. “Esperamos protestos ainda maiores na Flórida nas próximas semanas”, diz Kibbe.

Tudo isso pode, na verdade, ser positivo para Obama. No ano passado a Casa Branca tentou transformar o bombástico âncora de rádio Rush Limbaugh em líder da oposição. Este ano, Obama parece estar feliz por Sarah Palin, ex-governadora do Alaska, liderar a oposição.

Outros adversários incluem Glenn Beck, cujo programa de rádio colocou lenha na fogueira para a criação do “Projeto 912” - “tire a mão do meu plano de saúde” - batizado a partir do programa. Muitos democratas não escondem suas esperanças de que os integrantes do Tea Party tomem conta dos republicanos e os tornem inelegíveis em 2012.

“O movimento Tea Party pode ser desastroso para os republicanos se eles lançarem candidatos independentes e dividirem o voto da direita”, diz Frank Luntz, notório pesquisador de opinião republicano e fundador da consultoria Word Doctor. “Mas se eles se unirem, poderão se tornar uma força eleitoral impressionante em novembro.”

Na quinta-feira, organizadores do Tea Party também tentarão recriar a mágica que levou à tomada republicana do Congresso em 1994, na metade do primeiro mandato de Bill Clinton, com o “Contrato com a América” de Newt Gingrich. Os organizadores divulgarão um “Contrato da América”, com dez pontos, para mostrar que é a base do movimento que está definindo suas propostas, e não os líderes republicanos em Washington.

“Este é um movimento que dá ordens a Washington – e não o contrário”, diz Norquist.

Tradutor: Eloise De Vylder

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