Aumento de preços contribui para títulos de minério brasileiro

Jonathan Wheatley

  • Marcos Issa/Bloomberg News

    Minério de ferro no terminal marítimo da Vale em Ponta da Madeira, Estado do Maranhão

    Minério de ferro no terminal marítimo da Vale em Ponta da Madeira, Estado do Maranhão

Muito antes de a Vale e as outras grandes produtoras mundiais de minério de ferro terem concordado no mês passado com aumentos de preços de 100% ou mais para os seus clientes produtores de aço, o setor de mineração brasileiro vinha se preparando para atender à crescente demanda da China e de outros mercados de rápido crescimento.

Mas os aumentos de preços e a perspectiva de um mercado mais difícil para o minério de ferro nos últimos dois ou três anos deu um ímpeto ainda maior a vários projetos no setor.

“Nunca houve um momento melhor do que este para se vender títulos de minério de ferro”, afirma Pedro Montenegro, analista do Banco Brascan, no Rio de Janeiro. O minério vale muito dinheiro, o mercado está muito apertado e os novos preços significam uma chance ainda maior de implementação dos projetos”.

No topo da agenda há uma proposta da CSN, a terceira maior companhia siderúrgica do Brasil, no sentido fazer um spin-off (segregação parcial de sociedade) com os seus títulos referentes a minério de ferro e logística.

A CSN recusou-se a tecer comentários sobre isso, afirmando que regulações do mercado de capital a impedem de falar sobre o assunto enquanto as negociações estiverem em andamento.

No entanto, o diretor-executivo Benjamin Steinbruch afirmou durante um recente seminário que a companhia estava dando início a negociações com banqueiros a respeito de como estruturar a operação.

A questão central será estabelecer se a os ativos da CSN referentes ao minério de ferro serão vendidos separadamente ou juntamente com os seus ativos de logística.

No setor de minério de ferro, a CSN é dona da Casa de Pedra, uma das maiores minas de minério de ferro do Brasil, que no ano passado produziu 17,1 milhões de toneladas do produto.

Ela é também dona da Namisa, uma companhia criada em 2007, que é dona de várias minas e que no ano passado produziu 5,5 milhões de toneladas de minério.

Um consórcio de siderúrgicas japonesas e coreanas é dono de 40% da Namisa, e essas siderúrgicas terão que ser persuadidas a aceitar qualquer plano de venda acionária.

No setor de logística, a CSN é dona de 32% da MRS, uma companhia ferroviária, e de outras instalações ferroviárias e portuárias.

A CSN argumenta há muito tempo que o valor dos seus ativos referentes a áreas não vinculadas ao minério de ferro não se reflete no preço das sua ações, e que inseri-las em uma companhia separada e vendê-las para um investidor estratégico é algo que ajudaria a materializar um valor que não é reconhecido.

A empresa diz que a Casa de Pedra sozinha seria capaz de produzir mais de 70 milhões de toneladas de minério de ferro por ano após os investimentos planejados de US$ 3 bilhões (R$ 5,3 bilhões).

Isso faria dela uma concorrente significante da Vale, que atualmente produz cerca de 300 milhões de toneladas. Steinbruch esperar que a operação seja concluída ainda neste ano.

Em um estágio menos avançado há planos da Usiminas, a maior fabricante brasileira de chapas de aço, para promover um spin-off dos seus ativos nos setores de mineração e logística. Ela adquiriu quatro jazidas de minério de ferro em fevereiro de 2008 por US$ 925 milhões (R$ 1,6 bilhão).

Os ativos da área de logística da Usiminas incluem uma participação acionária de 20% na MRS e um porto previsto que deverá entrar em operação em 2014. A Usiminas pretende concluir um spin-off neste ano e a seguir procurar um investidor estratégico para comprar 20% da nova companhia. Mais tarde, a companhia seria vendida.

“Eles necessitam de um parceiro que conheça bem o mercado e que possa acrescentar valor aos seus ativos no setor de mineração, já que essa não é a área principal deles”, afirma Montenegro.

Ele diz que não existe carência de potenciais parceiros, incluindo grandes mineradoras como a BHP Billiton, a Rio Tinto ou a Anglo-American, ou grandes aciarias com ativos na área de mineração como a Arcelor ou uma das grandes produtoras asiáticas.

Ao mesmo tempo, outras mineradoras estão surgindo em cena no Brasil. A MMX, criada em 2005 por Eike Batista, um empresário bilionário, obteve US$ 509 milhões quando vendeu ações em junho de 2006.

Em novembro do ano passado, a Wuhan Iron e a Steel of China compraram 21,5% da companhia por R$ 1,2 bilhão, garantindo à MMX pelo menos um grande cliente.

Outras empresas recém-chegadas no cenário são a Ferrous Resources do Reino Unido e a Steel do Brasil, de fundos alemães, que no mês passado adquiriu ativos em mineração no norte do Brasil por US$ 245 milhões (R$ 430,9 milhões).

Tradutor: UOL

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