Temores da dívida da zona do euro se aprofundam

David Oakley, Victor Mallet e Michael Mackenzie*

Em Londres (Reino Unido), Madri (Espanha) e Nova York (EUA)

Os mercados globais caíram nesta terça-feira (04) com o crescimento dos temores de que a crise da dívida da zona do euro está se aprofundando, assim como com as preocupações com a saúde da economia chinesa. 

Uma grande venda de papéis nos mercados asiáticos, acelerada na Europa e nos Estados Unidos, ocorreu devido à maior preocupação de que o pacote internacional de resgate à Grécia, no valor de 110 bilhões de euros, não seria suficiente para impedir o contágio a outros mercados de dívida da zona do euro. 

O euro caiu ao ponto mais baixo em um ano frente ao dólar, as ações europeias caíram para o ponto mais baixo em dois meses, enquanto os mercados de títulos das economias mais fracas da zona do euro caíram, à medida que investidores preocupados buscavam vender. 

Nick Chamie, estrategista da RBC Capital Markets, disse: “É uma grande venda. Está ocorrendo por todo o globo e quase em todas as classes de ativos”. 

O índice Vix, um termômetro da volatilidade do mercado de equity, atingiu seu nível mais alto em 11 semanas, diante da conversa de que a Espanha estava buscando empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) por causa da deterioração de suas finanças públicas. 

José Luis Rodríguez Zapatero, o primeiro-ministro espanhol, negou furiosamente as sugestões de que a Espanha estava negociando um empréstimo de 280 bilhões de euros junto ao FMI como “insanidade completa”. O FMI também negou a negociação. 

Falando de Bruxelas, Zapatero disse que era “simplesmente intolerável” que rumores como esse causem danos aos interesses da Espanha e possam aumentar o custo da tomada de dinheiro pelo Estado, por meio da emissão de títulos. 

Correu a especulação de que o Banco Central Europeu (BCE) poderia ser forçado a comprar títulos dos governos da zona do euro para conter a crise de confiança na Europa, onde os investidores temem que uma reestruturação da dívida grega possa resultar em altas perdas para eles. O BCE se recusou a comentar. 

Dados mais fracos do setor manufatureiro chinês também pesaram nos mercados asiáticos antes do contágio se espalhar na Europa. 

Os mercados de títulos da Grécia, Espanha e Portugal, que estão no centro da crise da zona do euro, viram as maiores quedas à medida que cresciam as preocupações de que as dívidas desses países podem precisar ser reestruturadas, apesar dos empréstimos de emergência para Atenas. 

Os rendimentos dos títulos gregos de dois anos, que apresentam uma razão inversa com os preços, subiram 3 pontos percentuais, para 13,5%, os rendimentos dos títulos portugueses de dois anos subiram 1 ponto percentual, para 4,23%, e os rendimentos espanhóis subiram um quarto de ponto percentual, para 2,16%. 

O S&P caiu 2,6% nos negócios no fim da manhã, o índice FTSE Eurofirst 300 fechou em queda de 3%, o FTSE 100 caiu 2,6%, enquanto a maioria dos mercados asiáticos caiu, com o índice Xangai Composto em queda de 1,2%. 

O dólar se beneficiou com a turbulência na Europa, com a queda do euro em 1,3%, para US$ 1,30, um nível visto pela última vez em abril de 2009. 

Separadamente, o principal regulador de serviços financeiros da UE disse que buscaria estabelecer uma nova agência de classificação de crédito europeia, ao expressar sua frustração com a forma como algumas agências trataram a dívida grega nos últimos dias. 

Michael Barnier, um comissário de mercado interno da UE que é responsável pelos serviços financeiros, disse aos legisladores europeus que tem observado, com surpresa, a “a rápida deterioração da classificação da dívida grega. Eu estou tão frustrado quanto vocês”. 

*Reportagem adicional de Nikki Tait, em Bruxelas.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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