Rede de espiões russa ainda ameaça Ocidente, alertam especialistas em inteligência

James Blitz

  • AP

    Anna Chapman foi detida nos EUA na semana passada sob acusação de espionagem para a Rússia

    Anna Chapman foi detida nos EUA na semana passada sob acusação de espionagem para a Rússia

A zombaria em relação aos espiões russos logo após as prisões realizadas nos EUA na semana passada irritou os especialistas em inteligência britânicos, que acreditam que é leviano subestimar os esforços de espionagem dos herdeiros da KGB, o serviço secreto do período soviético.

A mídia ridicularizou o comportamento de supostos agentes russos presos pelo FBI e retratou-os como suburbanos desastrados e, no caso de Anna Chapman, como um tipo de sex symbol. Mas especialistas em inteligência insistem que as redes de espionagem ilegais de Moscou representam uma ameaça tão grande aos interesses ocidentais quanto representavam no auge da Guerra Fria.

Um especialista aponta que as operações de “sono profundo” do tipo descoberto nos EUA tiveram um enorme sucesso nos últimos anos. A mais notável foi a traição cometida por um diploma da Estônia que servia na sede da ONU em Bruxelas, cujo chefe e contratante era um agente russo que se passava por espanhol.

A informação comprada pelos russos causou um prejuízo incalculável à Otan, dizem especialistas.

“Há dois anos, vimos um diplomata estoniano da Otan passando uma enorme quantidade de documentos para um russo ‘ilegal’ que fingia ser alguém com cidadania espanhola”, disse um especialista.

Outro sugere que os chefes de espionagem russos de hoje têm entre 30 a 35 oficiais de inteligência em missões oficiais do país em Londres, operando num esforço de espionagem da mesma intensidade que o conduzido pela KGB no final da Guerra Fria.

Embora o Reino Unido e a Rússia estejam tentando reiniciar sua relação diplomática com frequente tensão, não há muitos indícios de que Moscou esteja relaxando seus esforços de espionagem em Londres ou na Europa.

Acredita-se que até 50% dos oficiais russos que atuam em capitais europeias sejam de inteligência, de acordo com os contatos do Financial Times. Além disso, dois elementos do esforço russo preocupam especialmente o Reino Unido. A Rússia está adquirindo uma sofisticação técnica considerável na guerra cibernética em sua tentativa de conseguir segredos de governo e de negócios empresariais. Uma segunda área de preocupação é o assédio a cidadãos e diplomatas britânicos pelo serviço de segurança interno da Rússia, o FSB, um problema que ainda é intenso, dizem os diplomatas.

O tipo de rede descoberta nos EUA na semana passada é constituída por espiões russos, conhecidos como “ilegais”, que adotam identidades falsas dentro de um país estrangeiro. Nenhuma rede como esta foi descoberta no Reino Unido. Mas os principais especialistas em segurança acreditam que os acontecimentos nos EUA sugerem que os “ilegais” também devem estar operando no Reino Unido.

Tradutor: Eloise De Vylder

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