Mianmar terá primeira eleição em 20 anos

  • Chor Sokhuntea/Reuters

    Thein Sein, primeiro-ministro de Mianmar, faz primeira eleição no país em 20 anos no dia 7 de novembro

    Thein Sein, primeiro-ministro de Mianmar, faz primeira eleição no país em 20 anos no dia 7 de novembro

Os generais que governam Mianmar anunciaram ontem (13/08) que o país realizará as suas primeiras eleições em 20 anos no dia 7 de novembro, em um processo que os críticos acreditam ter sido elaborado para conferir uma fachada de democracia com o objetivo de permitir uma consolidação ainda maior do regime militar.

A eleição será a primeira desde a realizada em 1990, que foi anulada pelo governo militar quando os candidatos apoiados pelo regime sofreram uma grande derrota para a Liga Nacional da Democracia, o partido fundado pela dissidente Aung San Suu Kyi. O general Than Shwe, chefe da junta militar que governa Mianmar, descreveu a eleição de novembro como a parte final do seu programa de sete etapas rumo a uma “democracia em que floresce a disciplina”.

Mas os críticos afirmam que a eleição será ilegítima devido às condições impostas pelo atual sistema constitucional, que assegura um quarto das cadeiras parlamentares para os militares e impede Suu Kyi e outros milhares de oponentes do regime de participarem do processo.
Cerca de 40 partidos se registraram, embora muitos deles representem os interesses dos militares. Os partidos têm até o final deste mês para apresentarem as suas listas de candidatos à Comissão Eleitoral.

A Liga Nacional da Democracia afirmou que não contestará a eleição de novembro. O partido foi dissolvido no início deste ano, após ter decidido boicotar a eleição, alegando que as regras criadas pelos generais eram injustas. Todavia, uma facção dissidente registrou-se para participar das eleições, uma medida que foi criticada por Suu Kyi. A ausência de Suu Kyi, a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz que passou 14 dos últimos 20 anos em prisão domiciliar, priva a oposição da sua figura mais carismática e poderá resultar em uma cisão dos votos contra o governo.

Derek Tonkin, um ex-embaixador britânico na Tailândia que observa a situação de Mianmar atentamente, diz que, embora o sistema tenha se certificado de que as autoridades atuais permanecerão no poder, estas autoridades poderão ser bastante enfraquecidas politicamente caso um número substancial de eleitores vote contra o sistema.
 

Tradutor: UOL

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