Alta do trigo pode gerar aumento de preços no mercado de alimentos

Jack Farchy

  • BandNews

    Preço do trigo sobe quase 50% em julho devido à seca na Rússia, terceiro maior produtor do mundo

    Preço do trigo sobe quase 50% em julho devido à seca na Rússia, terceiro maior produtor do mundo

Será que a disparada dos preços do trigo provocará um aumento inflacionário? Os dados divulgados nesta semana podem fazer com que fique mais claro entender até que ponto a disparada dos mercados agrícolas globais em julho afetou os preços nos mercados de alimentos – embora os economistas digam que os efeitos integrais da elevação dos preços no atacado poderão não se fazer sentir por vários meses.

O aumento da inflação poderia pressionar os governos a enrijecer com maior rapidez as suas políticas monetárias. O retorno da preocupação com a inflação ocorre depois da elevação do preço do trigo em quase 50% em julho, já que a Rússia, o terceiro maior exportador do mundo, sofreu a sua pior seca em mais de um século.

As comparações com a crise de alimentos de 2007 e 2008 parecem não se aplicar, dizem os analistas e autoridades de governo, observando que – pelo menos até o momento – o aumento dos preços das commodities tem se restringido em grande parte ao trigo. Um fator crucial nisso tudo é o fato de o preço do arroz – outro alimento básico – não ter subido. Porém, o aumento dos preços do trigo deverá provocar um impacto especialmente em economias emergentes nas quais os custos dos alimentos representam uma grande parcela das despesas.

A inflação dos preços para o consumidor de julho na Malásia e em Hong Kong deverá aumentar em relação a junho, refletindo a situação na China, que na semana passada divulgou uma inflação de preços para o consumidor de 3,3% em julho, contra 2,9% em junho. Na Índia, a inflação dos preços no atacado, o indicador que é mais atentamente acompanhado pelo banco central do país, deverá continuar elevada, em mais de 10%.

No Reino Unido, a inflação de julho deverá sofrer uma ligeira queda para 3,1%, contra os 3,2% registrados no mês anterior. Não obstante, esse índice está bem acima dos 2% que o Banco da Inglaterra adotou como meta. Na semana passada, Mervyn King, o presidente do banco, argumentou que “a influência da capacidade ociosa da economia” implicará em uma pressão para baixo da inflação no médio prazo.

Economistas do Credit Suisse preveem que o aumento dos preços dos alimentos acrescentará 0,3 pontos percentuais à inflação da zona do euro, e 0,2 pontos percentuais à inflação do Reino Unido em 2011. “No Reino Unido, a alta inflação dos preços dos alimentos poderá fazer com que a inflação geral fique acima dos 3% durante grande parte de 2011”, disseram esses economistas. “Na melhor das hipóteses, isso provavelmente representará problemas para o comitê de política monetária”.

A disparada dos preços do trigo poderá não provocar taxas de juros mais elevadas, mesmo se isso resultar em uma inflação maior, dizem economistas do HSBC. “É improvável que os governos dos mercados emergentes estejam demasiadamente preocupados com efeitos secundários dos aumentos dos preços dos alimentos”, dizem eles, observando que as perspectivas de crescimento foram prejudicadas pelas recentes oscilações do mercado financeiro. “No mundo desenvolvido, poder-se-ia até argumentar que algo que impedisse que os índices de inflação caíssem para um patamar muito baixo e provocassem uma deflação seria recebido com satisfação”.  É improvável que os dados desta semana solucionem a outra questão premente para os mercados globais: saber se os Estados Unidos estão rumando para uma nova recessão.

Hoje (17/08), a maior economia do mundo deverá anunciar que o número de habitações construídas ficou em mornos 560 mil em julho, mas que a produção industrial deverá aumentar 0,5%. Qualquer aumento semanal de pedidos de seguro desemprego provavelmente fará com que cresçam os temores e derrubará os mercados na quinta-feira. Finalmente, dois índices de atividade industrial deverão voltar a subir, após terem sofrido fortes quedas. No mais, o crescimento do produto interno bruto japonês no segundo trimestre deverá cair para 0,6% em relação ao trimestre anterior.
 

Tradutor: UOL

UOL Cursos Online

Todos os cursos