Vale a pena fazer planos para a reunificação das Coreias

  • Lee Jae Won/AP

    Lee Myung-bak, presidente da Coreia do Sul, refere-se aos "70 milhões de compatriotas" em recente discurso, indicando intenção de reunificação

    Lee Myung-bak, presidente da Coreia do Sul, refere-se aos "70 milhões de compatriotas" em recente discurso, indicando intenção de reunificação

Quando Lee Myung-bak referiu-se aos seus “70 milhões de compatriotas” em uma recente discurso, ele estava escrevendo um pedaço da história. A Coreia do Sul, país do qual Lee é o presidente, tem menos de 50 milhões de habitantes. Os outros mais de 20 milhões aos quais ele se referia pertencem à Coreia do Norte, um país que está separado da Coreia do Sul desde o final da Guerra da Coreia, em 1953. A grande ideia de Lee foi implementar um “imposto de reunificação” como preparativo para a reunificação de uma das economias mais bem sucedidas do mundo com uma das mais devastadas.

Este poderia parecer um mau momento para a implementação de um novo imposto, quando a recuperação econômica da Coreia do Sul, embora robusta, encontra-se ainda em uma fase inicial. Mas se a proposta do presidente sul-coreano contar com o apoio popular, ela atenderá a dois importantes propósitos. Primeiro, um imposto poderia proporcionar um amortecedor financeiro para atenuar o inevitável custo elevado da reunificação. A renda per capita da Coreia do Sul é cerca de 15 vezes maior do que a da Coreia do Norte, o que significa uma diferença muito maior do que aquela que existia entre as duas Alemanhas em 1989.

A Coreia do Sul precisaria basear-se fortemente na muitas vezes dolorosa experiência alemã, ao estabelecer, por exemplo, taxas de câmbio realistas entre as duas moedas. Mas a reunificação não tem que ser um sinônimo de desastre econômico. Caso seja bem conduzida, ela poderá proporcionar a uma Coreia do Sul que tem uma população envelhecida e que carece de recursos a força de trabalho e os minérios dos quais o país necessita.

E mais importante ainda é o valor simbólico das palavras de Lee. Até agora, a reunificação tem sido pouco mais do que um sonho. Embora a Coreia do Sul possua um Ministério da Reunificação, vários governos sul-coreanos sucessivos não enfrentaram esta questão com seriedade. Até porque a perspectiva de um colapso da Coreia do Norte – um provável prelúdio da reunificação – tem sido encarada com horror, já que isso geraria a possibilidade de conflitos militares e uma enxurrada de refugiados.

Tais preocupações fazem com que seja difícil impor sanções realmente dolorosas devido ao medo de que isso venha a desestabilizar Pyongyang. Sem um mapa apropriado, o que se tem feito é deixar que a Coreia do Norte siga à deriva rumo à penúria econômica e a fabricação de armas nucleares. A China tem contado com permissão para desempenhar um papel ambíguo, apoiando uma Coreia do Norte que Pequim encara como uma barreira de proteção entre a China e as tropas norte-americanas estacionadas na Coreia do Sul.

Lee está indicando a todas as partes envolvidas, incluindo o seu próprio povo, que a reunificação é algo para o qual vale a pena se preparar. O momento é correto, tendo em vista os sinais de que Kim Jong-il, o líder doente da Coreia do Norte, está se preparando para uma sucessão. Certamente, a reunificação dos dois países seria uma tarefa dispendiosa e arriscada, e, além do mais, difícil de se conciliar com os interesses estratégicos da China. Mas, comparada à perigosa situação atual, ela consistiria no melhor resultado possível.
 

Tradutor: UOL

UOL Cursos Online

Todos os cursos