Crescimento das economias emergentes implica na mudança da dinâmica da demanda por petróleo

Javier Blas

Em Londres (Inglaterra)

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    Segundo estudos, economias emergentes de paises como China e Índia estão modificando o tradicional padrão mundial de consumo de petróleo

    Segundo estudos, economias emergentes de paises como China e Índia estão modificando o tradicional padrão mundial de consumo de petróleo

As economias emergentes modificaram o tradicional padrão de consumo global de petróleo, segundo a agência supervisora de questões de energia no Ocidente, em mais um sinal de como países como a China e a Índia estão transformando os mercados de commodities. A Agência Internacional de Energia estima que, neste ano, a demanda por petróleo foi pela primeira vez maior durante o segundo trimestre, chegando a 86,6 milhões de barris diários, um número superior ao tradicional pico de consumo da temporada de inverno, de janeiro a março, que é de 86 milhões de barris diários.

O padrão sazonal geralmente empurrava os preços do petróleo para cima durante o inverno do hemisfério norte, já que temperaturas mais elevadas implicam em uma redução do consumo. Mas, como o crescimento da demanda por petróleo se deve cada vez mais a países como China, Índia, Arábia Saudita, Brasil e Indonésia, os padrões sazonais estão mudando, uma tendência que a Agência Internacional de Energia, com sede em Paris, acredita que deverá aumentar.

“Este padrão incomum reflete a nova dinâmica da demanda por petróleo”, declarou a Agência Internacional de Energia. “Esta sazonalidade emergente provavelmente implicará em novos desafios de ajustamento e logística”. Tradicionalmente, a demanda por petróleo sofria uma queda de 1,5 a 2 bilhões de barris diários entre o primeiro e o segundo trimestre, possibilitando que as refinarias passassem por serviços de manutenção. Os períodos de baixa demanda ajudavam a criar reservas para atender ao posterior pico do consumo.

Mas agora a atividade econômica em vários países em desenvolvimento tende a diminuir no primeiro trimestre, após as comemorações de Ano Novo – especialmente na China, onde o Ano Novo Lunar ocorre em janeiro e fevereiro –, antes de voltar a crescer, segundo a Agência Internacional de Energia. Como resultado, o consumo de petróleo é menor no primeiro trimestre e aumenta drasticamente no segundo trimestre. Esta tendência é bem diferente da que se vê nos países mais ricos, onde em janeiro e fevereiro, meses de inverno, ocorre o pico da demanda.

“Como a demanda dos países que não pertencem à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico está atualmente dirigindo o crescimento global, ela está também começando a alterar a sazonalidade mundial do consumo de petróleo, que até agora vinha seguindo o padrão de demanda da organização”, informou a agência no seu relatório mensal. “Em determinado momento, à medida que a demanda dos países que não integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico superar a demanda dos países que pertencem à organização, no decorrer dos próximos anos, o primeiro trimestre poderá se transformar no período de menor demanda”.

Alguns analistas dizem que, embora a sazonalidade tenha começado a mudar, a Agência Internacional de Energia exagerou ao prever que os padrões de consumo mudarão definitivamente. Eles observam também que os atuais dados sazonais foram modificados pela crise econômica.
 

Tradutor: UOL

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