Aiatolá adverte políticos iranianos sobre fissuras no governo

Monavar Khalaj

Em Teerã (Irã)

  • Abedin Taherkenareh/Efe

    Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, fez uma “séria advertência” aos principais políticos do país, incluindo o presidente Mahmoud Ahmadinejad, para que estes ponham um fim à briga interna que está abalando o regime.

    Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, fez uma “séria advertência” aos principais políticos do país, incluindo o presidente Mahmoud Ahmadinejad, para que estes ponham um fim à briga interna que está abalando o regime.

O líder supremo do Irã agiu de uma forma sem precedentes ao criticar publicamente os seus aliados políticos, após o surgimento de fissuras entre os fundamentalistas conservadores e radicais, que dominam o governo.

O aiatolá Ali Khamenei, que é quem detém o poder supremo, fez uma “séria advertência” aos principais políticos do país, incluindo o presidente Mahmoud Ahmadinejad, para que estes ponham um fim à briga interna que está abalando o regime.

Após a derrota dos oponentes reformistas, cujos protestos contra a disputada eleição do ano passada foram suprimidos, os fundamentalistas passaram a brigar entre si para um acerto de contas relativo a desentendimentos antigos.

Ali Larijani, o líder do parlamento e um oponente antigo do presidente, criticou Ahmadinejad por este ter supostamente fracassado em relação à tarefa de implementar as leis aprovadas pelo parlamento. Os fundamentalistas atacaram as políticas econômicas do governo.

Enquanto isso, o chefe de gabinete do presidente, Esfandiar Rahim-Mashaei, enfureceu o clérigo ao pedir a criação de uma “escola iraniana de islamismo”, aparentemente questionando a natureza universal da fé.

Khamenei em geral apoia o presidente em qualquer disputa interna. Mas desta vez ele respondeu convocando as altas lideranças iranianas para uma reunião, incluindo Ahmadinejad e Larijani.

Depois disso, ele declarou à rede de televisão estatal: “Eu fiz uma séria advertência às autoridades no sentido de que elas não tornem públicas as diferenças que têm entre si”.

Antes disso, o líder supremo avisou às autoridades do governo e do parlamento que “transformar diferenças em relação a gostos e preferências em rachaduras irremediáveis e feridas incuráveis é um erro grosseiro”.

Ele acrescentou: “A unidade e a solidariedade entre as autoridades do país é uma obrigação religiosa e a rejeição intencional desta unidade é, especialmente nos escalões superiores, contrária aos ensinamentos religiosos”.

A pressão internacional sobre o Irã está se intensificando, e a Organização das Nações Unidas (ONU) impôs uma quarta série de sanções contra o país em junho último devido ao programa de enriquecimento de urânio do regime.

Khamenei está tentando mobilizar os seus seguidores após um ano no qual as divisões existentes no Irã ficaram evidentes, primeiro entre o regime e a oposição reformista, e mais recentemente dentro do próprio grupo governante fundamentalista.

Tanto o parlamento quanto o governo procuraram transmitir a impressão de que estão prontos para acabar com as brigas.

Após reunir-se com lideranças parlamentares, Ahmadinejad afirmou: “Nós somos uma família e temos uma missão. O majlis (parlamento) e o governo devem agir de maneira coordenada”.

Tradutor: UOL

UOL Cursos Online

Todos os cursos