Pretória rejeita alegações de neocolonialismo chinês na África

Jamil Anderlini

Em Pequim (China)

  • Adrian Bradshaw, Pool/AP

    O presidente sul-africano, Jacob Zuma, aperta a mão de seu homólogo chinês Hu Jintao, durante cerimônia no Grande Palácio do Povo, em Pequim, para discussão de acordos econômicos

    O presidente sul-africano, Jacob Zuma, aperta a mão de seu homólogo chinês Hu Jintao, durante cerimônia no Grande Palácio do Povo, em Pequim, para discussão de acordos econômicos

O ministro do Comércio da África do Sul apoiou nesta terça-feira (24) o enorme aumento de investimentos chineses na África, afirmando que Pequim não está adotando uma política neocolonialista e que os interesses crescentes da China pelo continente resultarão em enormes benefícios para os africanos.

O ministro do Comércio faz parte de uma delegação liderada pelo presidente sul-africano Jacob Zuma, que inclui quase 400 empresários e 11 membros de gabinete. Este é, até hoje, o maior grupo a acompanhar um líder sul-africano a uma viagem ao exterior.

Rob Davies afirma que a presença cada vez mais acelerada da China na África “só pode ser uma coisa positiva” porque isso significa mais competição entre países desenvolvidos e em desenvolvimento na sua busca por recursos e influência no continente africano.

“Nós não queremos mais simplesmente assinar nas linhas pontilhadas de qualquer documento que nos apresentem; agora temos alternativas, e isso é vantajoso para nós”, declarou Davies em uma entrevista.

Os comentários de Davies destoaram das declarações de Thabo Mbeki, o ex-presidente sul-africano, que advertiu há três anos que a África correria o risco de cair em uma “relação colonialista” com a China.

Zuma, que tem se mostrado muito mais amigável para com a China, disse em um fórum empresarial sino sul-africano em Pequim: “A China é de fato um parceiro estratégico chave para a África do Sul, e a África do Sul está abertas para negócios de uma forma bem ampla”.

Muita gente na África apoia a China, especialmente entre as elites do poder africanas, que frequentemente beneficiam-se pessoalmente dessa alocação de auxílios financeiros e investimentos sem nenhuma condição vinculada.

Mas Pequim também tem muitos críticos na África, e companhias e trabalhadores chineses têm sido alvos de animosidade e de violência em países como Argélia, Angola, República Democrática do Congo e Zâmbia, onde a presença da China é crescente.

Críticos nos Estados Unidos e na Europa observam que Pequim apoia governos questionáveis em países como o Sudão e o Zimbábue, e que a China se dispõe a ignorar questões relativas a governança, direitos humanos e meio ambiente na sua busca por recursos naturais.

Davies afirmou que a resposta apropriada aos críticos ocidentais que afirmam que a China está procurando se tornar uma potência neocolonialista é: “Só países de mesmo nível podem entender os seus problemas mútuos”.

Ele disse ainda que o objetivo da sua delegação é reduzir o déficit bilateral da África do Sul com a China, o maior parceiro comercial dos sul-africanos desde 2008, a fim de melhorar a combinação de produtos negociados.

As exportações da África do Sul para a China no ano passado, no valor de US$ 6,57 bilhões (R$ 11,6 bilhões), consistiram quase que exclusivamente de recursos naturais, enquanto que as importações de produtos chineses pela África do Sul consistiram em sua maioria produtos manufaturados de valor agregado, segundo dados sul-africanos.

A África do Sul está esperando que haja mais investimentos chineses em ferrovias, em redes de transmissão de energia elétrica e em outros setores de infraestrutura, e também deseja convencer as companhias chinesas a construir mais fábricas no país.

Companhias chinesas e sul-africanas firmaram mais de dez acordos relativos a investimentos em ferrovias, transmissão de energia elétrica, projetos de construção civil, mineração, seguro, empresas de telecomunicações e energia nuclear.

Tradutor: UOL

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