Freakonomics.com: Roubar este livro?

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Por que as pessoas não se importam o suficiente com a literatura para roubá-la?

Recentemente, Stephen J. Dubner, meu co-autor em "Freakonomics", participou de um simpósio patrocinado pela Google, chamado "Sem encadernação: Avançando na publicação de livros em um mundo digital".
Eu fiquei especialmente impressionado por um comentário feito durante o evento por Cory Doctorow, um escritor de ficção-científica, jornalista e blogger. "Por que as pessoas não se importam o suficiente com a literatura para roubá-la?", ele perguntou.

Em um mundo em que a transmissão ilegal de música é endêmica, a pirataria de livros eletrônicos parece rara.

Meu palpite é que a resposta não tem a ver realmente com as pessoas não se importarem o suficiente com literatura. Pode ser, sobretudo, porque poucas pessoas querem ler versões eletrônicas de livros e geralmente é caro demais imprimir e distribuir versões ilegais de livros em papel.
O fato de as pessoas pagarem US$ 25 por um livro significa que provavelmente se importam o suficiente para roubá-lo - se houvesse maneiras mais fáceis de roubar livros.

Mas a distribuição ilegal de cópias de livros acontece.

Um amigo meu estava em um carro parado no trânsito na Índia e uma criança bateu na janela e tentou lhe vender uma versão pirata de "Freakonomics". Eu gostaria que ele a tivesse comprado - eu adoraria ter uma. Se algum leitor tiver uma cópia falsa de "Freakonomics", eu a trocarei por uma cópia verdadeira autografada.

Steven D. Levitt

O que Barack Obama sabe sobre economia comportamental?

Talvez um bocado. No início deste mês, o senador democrata de Illinois e pré-candidato à presidência dos EUA exibiu sua sabedoria econômica durante a audiência da Comissão de Relações Exteriores do Senado com Condoleezza Rice sobre o aumento das tropas americanas no Iraque.

"Essencialmente o governo disse diversas vezes: 'Vamos dobrar; vamos seguir em frente... porque agora temos muito em jogo e não podemos perder o que já apostamos'", teria dito Obama, segundo "The New York Times".

Como qualquer jogador de blackjack sabe, "dobrar" significa que um jogador está disposto a duplicar o valor de sua aposta inicial em troca de receber mais uma carta.

E o que Obama está descrevendo, amigos, é o que se conhece como "falácia do custo irrecuperável".

Aqui está uma definição do "The Skeptic's Dictionary": "Quando alguém faz um investimento sem esperança, às vezes raciocina: 'Não posso parar agora, ou o que já investi se perderá'. Isto é verdade, é claro, mas irrelevante para se a pessoa deve continuar investindo no projeto".

Embora falte ver se Obama tem qualificações para disputar a presidência, pelo menos parece que - se ele se decidir a isso - tem o jeito de um bom apostador.

Stephen J. Dubner

O alto preço do petróleo o deixará mais magro?

Não porque os preços mais altos do gás vão fazer as pessoas caminhar ou andar de bicicleta em vez de dirigir carros. Não, acho que poderia funcionar assim:

- Apesar da queda recente, os altos preços do petróleo promoveram a demanda por etanol feito de milho.

- Por isso o preço do milho está subindo rapidamente. Em novembro, o preço do milho era de US$ 3,45 por saca de 35 litros, quase o dobro do valor na mesma época no ano anterior, segundo a Associated Press.

- Com o milho muito mais caro, parece provável que os fabricantes de alimentos que usam o milho de tantas maneiras em muitos alimentos vão procurar substitutos.

Michael Pollan, um professor de jornalismo e autor do livro "The Botany of Desire: A Plant's-Eye View of the World" [A botânica do desejo: a visão de mundo de uma planta], coloca desta maneira: "Se você é o que come, especialmente se você consome alimentos industrializados, como 99% dos americanos, você é milho... O milho é a espécie chave do sistema de alimentos industriais..."

- Como o milho foi muito barato durante tanto tempo, o xarope de milho com alto teor de frutose tornou-se um substituto comum para a cana-de-açúcar. Pollan e outros afirmaram que o xarope de milho é uma das grandes causas da obesidade nos EUA.

- Uma companhia de refrigerantes chiques já anunciou que voltará a usar cana-de-açúcar em vez de xarope de milho. "É melhor para você, tem melhor sabor e principalmente é melhor para o meio ambiente", disse Peter van Stolk, presidente da Jones Soda, ao jornal "Seattle Post-Intelligencer".

Então, enquanto o alto preço do petróleo continua impelindo a demanda por etanol baseado em milho, que faz aumentar o preço do milho, que torna mais caro o xarope de milho, que leva os fabricantes de alimentos a buscar adoçantes potencialmente menos engordativos, os americanos - e outras nacionalidades com dietas semelhantes - vão emagrecer?

Stephen J. Dubner

O segredo da felicidade

Claramente, muitas pessoas hoje em dia estão interessadas em felicidade:
Como ser feliz? ... Por que algumas pessoas são mais felizes que outras? ...

Você me entende.

Uma das teorias da felicidade mais intrigantes que encontrei é esta, apresentada em uma edição recente do "British Medical Journal", ou BMJ. Ela afirma que os dinamarqueses são mais felizes que os outros europeus, apesar de a Dinamarca se classificar no topo do tipo de coisas geralmente associadas a uma população infeliz: mau tempo, comida ruim e alto consumo de álcool.

Então qual é o segredo? Baixas expectativas.

"É uma coisa de Davi e Golias", disse Kaare Christensen, um dos autores do estudo em um artigo recente no "New York Times". "Se você é um sujeito importante, espera estar no topo o tempo todo e fica decepcionado quando as coisas não vão bem", acrescentou Christensen. "Mas quando você está lá no fundo, como nós, você vai levando, não espera muita coisa e de vez em quando ganha e é muito melhor."

Essa teoria faz sentido para mim, assim como faz sentido que as pessoas que ganham alguns milhares de dólares a mais que seus colegas dizem ser mais felizes do que se ganhassem mais dinheiro, mas menos que seus colegas.

Assim como muitas coisas na vida, a felicidade relativa pode ser muito mais importante - ou pelo menos mensurável - do que a felicidade absoluta.

Stephen J. Dubner Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são os autores de 'Freakonomics' e 'Superfreakonomics'. O livro mais recente deles é 'When to Rob a Bank... and 131 More Warped Suggestions and Well-Intended Rants'.

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