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Tem algum médico na casa?

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Quais são os piores empregos para um médico? Em um recente artigo no "British Medical Journal", Mary Black, uma médica de saúde pública na Sérvia, apresenta suas idéias sombriamente engraçadas sobre os piores empregos para profissionais de saúde. "Meus critérios são pessoais: são empregos que comprometem seriamente os padrões éticos e morais, são difíceis de justificar para seus filhos e provavelmente serão uma fonte de arrependimento em seu leito de morte", disse Black. "Alguns desses trabalhos são muito bem pagos - tinham de ser." Aqui está a lista de Black: 1. Chefe dos serviços médicos na baía de Guantánamo. Black indica que as instalações são novas e os visitantes, raros. Mas diz que os médicos podem ter dificuldades para explicar os estranhos hematomas e mordidas de cachorro em seus pacientes. 2. Cientista pesquisador em qualquer grande companhia de tabaco. Na opinião de Black, esse emprego exige inverter - e subverter - o objetivo habitual da maioria dos médicos. Não importa em quê alguém nesse tipo de emprego acredite, ela explica, está criando novas maneiras de matar pessoas. 3. Desenvolvedor de armas químicas. Ver acima. 4. Cirurgião no ramo de transplante comercial de rins. Essencialmente, diz Black, você está ferindo um paciente para salvar outro. Isso para ela tem mais a ver com dinheiro do que com ética médica. 5. Médico de doping esportivo. Esse emprego traz muito dinheiro e significa muito tempo em eventos esportivos, ela explica. Mas se você for descoberto o jogo acabou. Concordo com Black que alguns desses empregos vão contra o juramento de Hipócrates: Primeiro, não cause danos. Mas também me pergunto quais poderiam ser considerados os empregos mais difíceis na medicina. Por exemplo, não conheço ninguém que seja um oncologista pediátrico. Mas ainda bem que há preferências individuais - e que muitas pessoas pensam diferentemente de mim. Stephen J. Dubner A filha de Levitt é um prodígio no pôquer Recentemente ensinei minhas duas filhas mais velhas a jogar "stud" pôquer com sete cartas. Naquela noite jogamos algumas mãos antes de elas irem dormir. Em outra noite jogamos mais algumas. Numa terceira noite eu cheguei em casa do trabalho e uma de minhas filhas, Amanda, estava especialmente ansiosa para jogar pôquer. Na verdade ela estava tão ansiosa por algumas mãos que já tinha distribuído as primeiras três cartas para cada pessoa, duas viradas para baixo e uma para cima. Minha carta para cima era um 8; a dela era um rei. Jogamos essa mão com ela apostando agressivamente a cada rodada. Isso não é surpreendente, porque ela tende a apostar com quaisquer cartas que tenha na mão. Eu pedi cartas até o final, apesar de ter apenas um par de 10. No final da mão ela virou suas duas cartas ocultas. Eram reis, combinando com o que ela recebera como terceira carta. Sendo um economista, eu tive de me perguntar quais eram as probabilidades de receber uma mão tão boa quanto aquela. Cerca de uma em 2.500, para os interessados. Talvez ela apenas tenha tido sorte. Provavelmente ela teve algum tempo livre naquela tarde e preparou o baralho antes de eu chegar. Essa é a minha garota! Ela promete me ensinar a dar cartas do fundo do baralho qualquer noite dessas. Steven D. Levitt Mais sobre a profissão médica: o que será desacreditado agora? Um editorial num número recente do "British Medical Journal" (eu sei, duas referências na mesma coluna - mas acontece que sou um leitor fiel) faz uma firme defesa da tese sobre a qual muitas pessoas provavelmente têm pensado nas últimas semanas. Considere uma das últimas notícias médicas que chegaram aos jornais: "é fácil sentir desprezo pelos médicos do passado que defenderam sangrias e amigdalectomias para todos", segundo um editorial do BMJ intitulado "Contendo o entusiasmo médico", de Elizabeth Loder, a editora de pesquisa da revista. "Fácil, isto é, até que se considerem as evidências emergentes de que cateterismo coronariano e terapia de reposição hormonal após a menopausa talvez sejam os equivalentes contemporâneos daquelas práticas hoje desacreditadas", ela continua. Um recente artigo de Barnaby J. Feder no "New York Times" fala sobre o interessante estudo que descobriu que, para muitos pacientes cardíacos, o cateterismo coronariano geralmente não é mais eficaz que os medicamentos, embora seja muito mais invasivo - e, é claro, rentável para os médicos envolvidos. De fato, outro artigo na mesma edição da BMJ sugere que o cateterismo é menos comum na Europa do que nos EUA, principalmente porque "não houve os mesmos incentivos financeiros para realizar esses procedimentos". O editorial da BMJ também faz uma pergunta inteligente: "Que outras ortodoxias médicas poderão se unir à terapia de reposição hormonal e ao cateterismo na lista sempre crescente de intervenções desacreditadas?" Eu tenho um palpite: a quimioterapia para muitos tipos de câncer em estágio terminal. Stephen J. Dubner Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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