Freakonomics.com: Saindo da fila na Polônia

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

O que há entre os poloneses e as filas?

Eu acabei de voltar de uma viagem fascinante e agradável a Varsóvia.

O único aspecto negativo da viagem - além do vôo de nove horas para chegar lá - foi quão incrivelmente rudes os poloneses são em relação a filas.

Eu nunca vi um desrespeito tão óbvio pelo próximo quando se trata de cortar filas, mesmo quando significa que a pessoa que o cortou permanecerá na sua frente pelos próximos 15 minutos. Nos Estados Unidos, as pessoas furam filas enquanto estão dirigindo. Mas geralmente não acontece quando estão a pé, por ser desconfortável demais permanecer ao lado da pessoa que você acabou de desrespeitar. Um carro fornece uma barreira contra o estigma social.

Na Polônia não parece haver tal distinção. Quando contei isto ao meu co-autor Stephen J. Dubner, ele me disse para parar de me queixar e guardar o assunto para quando eu fosse para Israel, onde ele disse que simplesmente não existe algo chamado fila.

Apenas para testar minha hipótese, no aeroporto, enquanto embarcava no avião - era um completo vale tudo, com todos tentando embarcar ao mesmo tempo - eu fiz uma anotação mental dos mais notórios furadores de fila.

Então, quando chegamos à alfândega nos Estados Unidos, eu fiquei de olho para ver quais dos piores furadores entraram na fila dos cidadãos americanos e quais entraram na fila dos turistas. Nenhum dos piores furadores era cidadão americano, apoiando minha conjectura.

Você sabe o que mais me surpreendeu no furar de fila? Eu imaginava que os poloneses tivessem aperfeiçoado a arte de permanecer em fila, após terem vivido sob o comunismo por tanto tempo. Na verdade, eu teria previsto uma cortesia ainda maior do que a encontrada em outras partes.

Mas talvez eu apenas tenha interpretado errado a teoria. Com tantos anos de escassez, a recompensa em se tornar um exímio furador de fila era muito maior na Polônia do que nos Estados Unidos.

Assim, os poloneses realmente se aperfeiçoaram na arte da fila: com o aperfeiçoamento significando ser capaz de cortar a fila e não sentir culpa.

Steven D. Levitt

O Milagre do Vôo

Uma postagem recente no Consumerist.com, um site americano com artigos sobre como extrair o máximo de seu dinheiro, pediu recentemente comentários sobre um plano para instalar assentos voltados para a traseira nos aviões.

As opções para comentário eram basicamente:

a) Eu não gosto.
b) Eu gosto.
c) Tanto faz... Sem comentários... Quem se importa? ...

As pessoas deviam se contentar apenas em ficarem felizes com as companhias aéreas fornecerem o milagre do vôo e deixarem-nas fazerem o que quisessem..

Em grande parte, eu concordo que as companhias aéreas devem fazer o que quiserem. Eu fico constantemente surpreso em como os passageiros não se impressionam com a eficácia, segurança e baixo custo da viagem aérea - e especialmente na maravilha de engenharia que ela representa.

Apesar de ter um irmão que é piloto e de já ter recebido a explicação da ciência do vôo muitas vezes, toda a perspectiva ainda me parece algo quase milagroso.

Recentemente, enquanto me preparava para a decolagem do meu vôo em Washington, D.C., eu observei o avião à nossa frente alçar vôo. O Monumento de Washington reluzia ao fundo e fiquei maravilhado com a vista.

O que mais me espanta sobre a aviação comercial é a segurança.

Eu fui lembrado disto recentemente enquanto lia um artigo da (agência de notícias) "Reuters", que resumia um novo relatório de segurança de um grupo setorial chamado Associação Internacional do Transporte Aéreo. Ela notou que a Rússia e os outros membros Comunidade dos Estados Independentes ainda são, como em anos anteriores, os locais mais perigosos no mundo para voar, com um índice de acidentes 13 vezes acima da média global.

Estatísticas como estas são o motivo para minha esposa, que passou anos na Rússia como fotógrafa, sempre se referir à companhia aérea nacional russa como "Aeroflop". Mas a verdadeira notícia é que, mesmo incluindo a Rússia, ocorreram apenas 77 grandes acidentes no mundo em 2006, em comparação a 111 em 2005.

"Isto representa um acidente por 1,5 milhão de vôos em aeronaves produzidas no Ocidente", como notou o jornal americano "USA Today".

Um acidente por 1,5 milhão de vôos!

Isto é o equivalente a você e 100 de seus amigos tomarem um vôo todo dia por 40 anos consecutivos. Para algo tão complicado como voar, esta é uma taxa monumentalmente baixa de falha.

Além disso, como resumiu o "USA Today", os fatores chaves nos acidentes foram "tempo ruim, erros de comunicação e lapsos no treinamento da tripulação".

Mas não, notavelmente, falha de equipamento ou erro de cálculo aeronáutico.

Como a maioria das pessoas que viaja com freqüência, eu considero fácil demais notar as infrações grandes e pequenas cometidas pelas companhias aéreas. Apenas na semana passada, eu testemunhei pelo menos meia dúzia de idiotices.

Mas vou deixá-las de lado. Eu prefiro apenas apreciar algo que, com grande freqüência, funciona tão bem.

Stephen J. Dubner George El Khouri Andolfato

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