Freakonomics: Combatendo epidemias e encontrando cisnes negros

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Combatendo epidemias globais

Se eu tivesse a opção entre solucionar o aquecimento global e eliminar a ameaça de uma epidemia global, escolheria a segunda.

Provavelmente sou minoria nesse sentido, mas penso que uma epidemia poderia ser uma ameaça mais grave. Alguns anos atrás cheguei a formar um estoque de comida e água em meu porão. Então, se houvesse uma epidemia, minha família poderia ficar trancada durante um ou dois meses até que as coisas fossem solucionadas. Suponho que esteja na hora de reabastecer meu porão: usamos a maior parte da água para encher o aquário da família e não verificamos a comida há algum tempo, mas provavelmente está vencida.

O que podemos fazer para combater a epidemia global?

A Internet talvez seja a ferramenta mais poderosa à mão. Epidemias tendem a começar em locais remotos. Obter rapidamente a informação médica vital desses lugares seria um bom começo para domar uma epidemia. As redes formais como os Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA não parecem funcionar tão bem.

Larry Brilliant, um epidemiologista e escritor americano visionário, tem em mente um plano para obter exatamente esse tipo de informação. Brilliant ganhou o cobiçado prêmio TED (Tecnologia, Entretenimento, Design) no ano passado, que permite que o receptor faça um desejo especial que a comunidade TED ajuda a realizar.

Brilliant inventou um método de vasculhar a Internet em busca de pistas de que uma epidemia pode estar começando. No ano passado ele se tornou diretor do ramo sem fins lucrativos da Google. Poderia haver melhor casamento?

Enquanto o mundo espera que o plano de Brilliant seja implementado, acho que teremos de nos satisfazer com algo muito menos abrangente.

Whoissick.org [quemestádoente.org] é um site da web que permite que os pacientes divulguem suas doenças e outras pessoas pesquisem pelo código postal para ver o que os moradores de seu bairro contraíram. O interessante para mim é que os doentes realmente publicam suas informações.

Quando estou doente, posso entrar no Google para tentar descobrir o que há de errado comigo. Duvido, porém, que eu me incomodaria em entrar e dizer à Whoissick.org que me sinto péssimo. Com certeza, se eu estivesse morrendo de gripe aviária, isso não estaria no topo das minhas preocupações.

Steven D. Levitt

Caçando o cisne negro

"Identificar a antilógica é uma atividade muito satisfatória."

Você concorda com essa sentença?

Nesse caso, provavelmente gostará do trabalho de Nassim Nicholas Taleb, um cavalheiro muito culto cujo novo livro se chama "The Black Swan: The Impact of the Highly Improbable" [O cisne negro: O impacto do altamente improvável].

Vejam como sua sobrecapa descreve sucintamente a tese: "Um cisne negro é um evento altamente improvável com três características principais: é imprevisível; encerra um impacto maciço; e, depois do fato, procuramos dar uma explicação que o faça parecer menos aleatório e mais previsível do que era. O sucesso surpreendente do Google foi um cisne negro; assim como o 11 de Setembro".

Já li cerca de um terço de "O Cisne Negro" e estou achando um dos mais divertidos e intrigantes livros que já li em muito tempo. Ele abre caminho através da história, psicologia, filosofia, estatística, entre outros assuntos.

Você se vê discutindo com Taleb a cada três frases. Mas para mim isso faz parte da grande diversão. Ele é um escritor e pensador ousado, teimoso, divertido, convicto, curioso, matreiro. Também gostei muito de seu livro anterior, "Fooled by Randomness: The Hidden Role of Chance in Life and in the Markets" [Enganado pela aleatoridade: O papel oculto do acaso na vida e nos mercados]. Os dois livros têm visões de mundo semelhantes, mas vale a pena ler ambos. (Com base no que ele escreveu, porém, acho que provavelmente ele detestaria nosso livro "Freakonomics", e explicitamente detesta o objetivo financeiro da economia.) Tenho certeza de que alguns de vocês já leram "O Cisne Negro", já que está na lista de best-sellers do "The New York Times".

Vejam o que Taleb teve a dizer quando perguntado sobre sua definição pessoal de aleatoridade: "Alguém perguntou por que eu considero eventos planejados, como o 11 de Setembro, aleatórios (quando na verdade foram planejados pelos terroristas). Eu continuo escrevendo em alguns lugares que minha definição de aleatoridade é a seguinte: compreensão incompleta ou informação incompleta", explicou Taleb.

"Se eu vejo uma mulher grávida andando pela rua, o sexo de seu filho é um evento aleatório para mim - mas não para seu médico e certamente não para Deus", ele acrescentou. "Do mesmo modo, nada num jogo de cara-ou-coroa é realmente aleatório para alguém capaz de fazer equações diferenciais de cabeça - mas não estamos equipados cognitivamente para isso... Portanto, o grau de aleatoridade depende do observador."

Parece apropriado que algumas semanas atrás uma empresa caçadora de tesouros da Flórida tenha descoberto um navio naufragado da era colonial chamado, sim, Cisne Negro. Seu tesouro valeria cerca de US$ 500 milhões. Isso sim é um cisne negro.

Stephen J. Dubner Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são os autores de 'Freakonomics' e 'Superfreakonomics'. O livro mais recente deles é 'When to Rob a Bank... and 131 More Warped Suggestions and Well-Intended Rants'.

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