Freakonomics.com: Dê um tempo a Deus

Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner

Parece que malhar Deus está na moda.

Daniel Dennett, co-diretor do Centro de Estudos Cognitivos da Universidade Tufts, deu o tiro de largada há cerca de um ano e meio, com "Breaking the Spell" (Quebrando a Magia), que defendia a análise científica da religião.

Pouco depois, Richard Dawkins, biólogo evolucionário britânico, lançou o campeão de vendas "The God Delusion" (A Ilusão de Deus). Depois vieram dois livros com títulos que dizem tudo: "God: the Failed Hypothesis" (Deus: A Hipótese Fracassada), de Victor Stenger, e o atual sucesso de vendas "God is Not Great" (Deus não é Grande), de Christopher Hitchens.

E o que está por vir?

"Irreligion", do matemático John Allen Paulos (autor de "Innumeracy"), que refuta uma dúzia de argumentos pela existência de Deus. Amo o fato do lançamento do livro estar marcado para 26 de dezembro 2007. Poderia ser mais apropriado?

O que me surpreende é: quem compra esses livros?

Não sou religioso. Não penso muito em Deus, exceto quando estou em uma situação difícil e preciso de favores especiais. Não tenho razão específica para dizer que ele os atenderá, mas algumas vezes tento de qualquer forma. Fora isso, não me interesso tanto por Deus.

Definitivamente não sou interessado o suficiente para sair e comprar livros explicando por que eu não deveria acreditar em Deus, mesmo que sejam escritos por pessoas como Dennett e Dawkins, quem eu admiro grandemente. Se fosse religioso, acho que me esforçaria ainda mais em evitar livros me dizendo que minha fé está enganada.

Então quem está fazendo desses livros campeões de venda? Pessoas que desprezam a noção de Deus têm demanda insaciável por livros que as lembrem por quê? Haverá tantos por aí que não chegaram a uma conclusão sobre o assunto e estão abertos a persuasão?

Deixe-me argumentar de outra forma: compreendo porque os livros atacando liberais vendem - porque muitos conservadores odeiam liberais. Livros atacando conservadores vendem pela mesma razão.

Mas ninguém escreve livros dizendo que a observação de aves é uma perda de tempo, porque quem não é observador de aves provavelmente concorda e não quer gastar US$ 20 para ler sobre isso. Como são poucas as pessoas (ao menos no meu grupo) que não gostam de Deus de forma ativa, fico surpreso que os livros contra Deus não sejam recebidos com o mesmo bocejo que livros contra a observação de aves teriam.

Steven D. Levitt

Mick Jagger, sábio em maximizar lucros

Como sabe um verdadeiro fã, o astro do rock Mick Jagger não é apenas o líder de longa data dos Rolling Stones. Ele também estudou finanças e contabilidade na Escola de Economia de Londres.

Ele está em boa companhia no que diz respeito aos antigos estudantes de economia que encontraram fama em outras áreas. Por exemplo, o lendário diretor de filmes italiano Michelangelo Antonioni, que morreu na semana passada aos 94, graduou-se em economia na Universidade de Bologna.

Sir Mick não se formou, entretanto. Ele freqüentou a Escola de Economia de Londres por pouco tempo. Ouvi a história apócrifa de que ele fora convidado a se retirar depois de entrar com uma motocicleta na biblioteca, mas duvido que seja verdade - não porque seria inimaginável, mas porque Jagger nunca foi tão selvagem quanto sua imagem sugere. Digo isso como elogio.

Apesar de seu curto tempo na faculdade de economia, acredito que Jagger é supremamente sagaz no que diz respeito a dirigir uma empresa. E é isso que os Rolling Stones têm sido por mais de 40 anos: um negócio, e muito bem administrado.

Sempre achei que os talentos de Jagger como diretor executivo foram subestimados. Isso provavelmente lhe cai bem, já que, quando você é cantor de rock, há valor significativo em parecer mais irresponsável e selvagem do que um típico empresário.

A coisa mais inteligente sobre a liderança de Mick Jagger nos Rolling Stones é a abordagem corporativa da banda à turnê. Na economia da música pop, vendas de discos e lucros de shows são as duas maiores fontes de renda.

As vendas de discos são imprevisíveis e divididas entre muitas partes. Mas se você aprende a fazer turnês eficientes, os lucros podem ser enormes. Pense no dinheiro arrecadado não só dos ingressos, mas dos patrocínios corporativos, vendas de camisetas, etc. Essencialmente, você pode controlar quanto ganha acrescentando mais datas à turnê, enquanto é difícil controlar a venda de discos.

A outra coisa boa das turnês para uma banda como Rolling Stones é que dá aos não compositores uma chance de fazer dinheiro de verdade.

Tenho certeza que Charlie Watts, Bill Wyman e Ronnie Wood fizeram um bom dinheiro com a venda de discos durante os anos, mas provavelmente bem menos do que se pensa. Jagger e Keith Richards, enquanto isso, ganham muito mais porque também recebem royalties das composições.

Não tenho idéia se Jagger paga a Watts, Wyman e Woods tanto quanto paga a si mesmo para fazer as turnês, mas se a marca de um bom diretor executivo é fornecer oportunidades para todos na empresa prosperarem, então Jagger é de fato um bom diretor.

Stephen J. Dubner Deborah Weinberg

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