Freakonomics.com: George Bush, o estado da pornografia e porque a Playboy ainda é picante

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Não faz muito tempo, pedimos aos leitores que sugerissem perguntas para Chris Napolitano, diretor editorial da revista Playboy, com base em Nova York.

Nossos leitores responderam com vigor. Agora, ele também.

Ex-aluno de religião da Universidade da Columbia, Napolitano, 43, entrou para a Playboy em 1988, como assistente de edição no departamento de ficção. Passou então para editor de reportagens e depois para editor executivo. Em 2004, ele chegou ao topo: diretor editorial, respondendo diretamente a Hugh Hefner, lendário fundador da revista e chefe de edição.

Napolitano administra uma instituição de imprensa de quase 54 anos, com edições em 23 países. Ela foi construída em cima de sua fama por trazer matérias e reportagens sofisticadas assim como fotos famosas de mulheres nuas.

Ainda assim, o trabalho de Napolitano não tem sido fácil ultimamente.

A Playboy está lutando para permanecer relevante no mundo moderno. Sua circulação atingiu um pico de cerca de 7 milhões de leitores em 1971, enquanto a revista teve que lutar para atingir a marca de 3 milhões na primeira metade deste ano. A Playboy está contra-atacando aumentando suas ofertas digitais.

As respostas de Napolitano às perguntas dos leitores fornecem uma defesa extensa de seu empreendimento - uma defesa que faz parecer que ele ainda não enfrentou um público mal humorado. Mas talvez nossos leitores sejam um pouco mais provocadores do que a média. Foi isso o que ele disse:

Pergunta - Que tipo de manobras culturais e políticas a Playboy faz para ter sua revista vendida em torno do mundo? Ela está disponível, por exemplo, em lugares como Arábia Saudita? Em caso positivo, como isso acontece?
Napolitano -
Nossa estratégia para edições estrangeiras é licenciar a revista a uma editora que já opere no país. Isso dito, mal posso esperar nossas tropas voltarem do Iraque. Tivemos muitos cancelamentos de assinaturas porque nossas forças armadas não podem receber a revista no país ou nas bases próximas.

Pergunta - Como a Playboy resolve seu problema de imagem em países muçulmanos?
Napolitano -
Para nós, não há como ultrapassar o fundamentalismo religioso, apesar de talvez haver um lugar para nós em sociedades muçulmanas verdadeiramente seculares.

Pergunta - A circulação da Playboy caiu pela metade em três décadas. Isso se acelerou com a crescente disponibilidade de Internet de alta velocidade? Ou foi uma queda constante? Se o declínio acompanhou de perto a quantidade crescente de pornografia on-line, o que podemos concluir de leitores que costumavam dizer, "só leio os artigos"?
Napolitano -
Acredito firmemente que a Internet afetou mais os hábitos de consumo do que os hábitos de entretenimento ou de leitura. As revistas foram atingidas duramente pelo declínio no trânsito a pé no nível do lojista. Então, nosso desafio é tornar fácil para as pessoas encontrarem o material on-line - na forma digital, seja no site Playboy.com ou pelas ofertas de assinatura pelo computador. A revista não é formulada para ser lida apenas pelos artigos - essa é a beleza dela. Competimos contra outras revistas que trazem pornografia de primeira e mulheres bonitas e celebridades em poses sensuais, nuas ou quase nuas.

Pergunta - Como a Playboy está tentando permanecer relevante na atual indústria de entretenimento?
Napolitano -
As pessoas ainda se dispõem a pagar pelas imagens de Playboy on-line. Nosso site pago gera dezenas de milhares de dólares.

Pergunta - Qual controle o senhor tem sobre as edições estrangeiras da Playboy? Elas são administradas de formas diferentes? No Brasil, por exemplo, a Playboy parece trazer muitas celebridades.
Napolitano -
Atualmente, temos 23 edições internacionais licenciadas. A maior parte do conteúdo em cada edição é produzida localmente, por uma editora local, baseada nos gostos e tendências do mercado local. Tenho muito pouco controle, apesar de gostar de ver nosso material aparecer pelo globo. Incidentalmente, as páginas de moda dos EUA são as mais freqüentemente apresentadas em nossas edições estrangeiras, depois de celebridades nuas.

Pergunta - O estilo da fotografia da edição americana não parece ter mudado em 25 anos. Por que as edições internacionais da Playboy têm fotografias muito mais audaciosas e criativas?
Napolitano -
Havia muita vaselina nas lentes (foco suave) nos anos 80. Quanto às "mesmas fotos", acho que se relaciona às poses. Só é possível virar o corpo humano em um número limitado de direções. Cabe a nós, à modelo, ao fotógrafo e ao cenário produzirem algo distinto. E acho que fazemos isso com bastante freqüência. Aliás, também incorporamos muito material fotográfico internacional na revista e faremos isso ainda mais em 2008. Então não acho que estamos negligenciando nada. Entretanto, quando a edição brasileira traz 22 a 24 páginas de fotos, o ritmo e o número de fotos podem dar a impressão de um trabalho "mais audacioso e criativo".

Pergunta - Se tivesse que culpar alguém pela queda no índice de circulação, a quem culparia?
Napolitano -
George Bush? Sim, vamos culpá-lo.

Pergunta - O senhor acha que pornografia é boa para a sociedade?
Napolitano -
Se eu acho pornografia bom? Talvez, algumas vezes. Tudo com moderação. Uma coisa é certa: a repressão sexual é ruim, ruim, ruim.

Pergunta - Quanto controle Hefner ainda tem sobre a Playboy?
Napolitano -
Perdoe-me pela referência antiga aqui, mas o relacionamento de Hef com a marca é igual ao de um músico de jazz tocando uma música. Estamos todos improvisando sobre a mesma melodia. Se alguém perde um compasso ou desafina, cedo ou tarde ouvirá de Hef. Acho que a presença de Hef fortalece a marca. Não acho que precisamos pensar em um tempo após Hef; ele é único.

Pergunta - A Playboy está achando mais difícil atrair escritores de qualidade hoje do que há cinco ou 10 anos? Até que ponto o senhor acha que a Playboy compete com blogs e outros trabalhos independentes na Internet?
Napolitano -
De fato, está melhor do que nunca... tivemos uma lista incrível de autores nos últimos três anos, inclusive grandes nomes como Stephen King, Jane Smiley, Nadine Gordimer, Norman Mailer, Gore Vidal, John Updike.

Pergunta - O senhor tem filhos? Em caso afirmativo, quando perguntam onde o senhor trabalha, o que responde?
Napolitano -
Já enfrentei essa situação na minha vida, e é razoavelmente fácil de lidar. Faço uma revista para homens adultos, não para crianças. É o mesmo que eu beber vinho no jantar e eles beberem suco. Deborah Weinberg

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são os autores de 'Freakonomics' e 'Superfreakonomics'. O livro mais recente deles é 'When to Rob a Bank... and 131 More Warped Suggestions and Well-Intended Rants'.

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