Freakonomics.com: condecorações econômicas e origens

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Reflexões sobre uma visita à Casa Branca

Recentemente eu passei uma manhã na Casa Branca, assistindo a cerimônia de condecoração deste ano da Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta distinção civil dos Estados Unidos.

Gary Becker, o economista vencedor do Prêmio Nobel, foi um dos condecorados e foi gentil o bastante em me deixar fazer parte de sua comitiva (eu sou o diretor do Centro Becker para Teoria do Preço da Universidade de Chicago, batizado em sua homenagem). Poderia ser dito que o exame agora famoso de Becker sobre os impactos sociais e econômicos do comportamento humano serviram de base para o Freakonomics.

Segundo o programa, Becker é apenas a segunda pessoa a conquistar tanto o Prêmio Nobel quanto a Medalha Presidencial da Liberdade. A primeira pessoa a conseguir tal honra foi Milton Friedman, o amigo e mentor de Becker que ajudou a moldar nosso entendimento da economia moderna.

Aqui estão alguns pensamentos sobre os eventos daquela manhã:

-O presidente Bush foi bastante encantador. Ele tinha algo pessoal e freqüentemente engraçado a dizer sobre todos os homenageados. O que mais chamou a atenção era que ele de fato parecia estar se divertindo no evento.

-A segurança estava notadamente relaxada. Talvez de forma apropriada, dada que apenas aqueles cujos nomes foram colocados em uma lista pelos condecorados podiam passar pelos portões para os jardins da Casa Branca.

Havia um detector de metal, mas eu acredito que poderia ter entrado com uma arma sem muita dificuldade e com pouca chance de ser pego. Eu não diria como, porque pessoas tendem a se enfurecer quando discuto tais detalhes. É possível que existissem outras camadas de segurança escondidas, mas posso dizer que parecia ser tão fácil chegar a poucos passos do presidente quanto ter acesso à maioria dos arranha-céus de Nova York.

-Dos oito condecorados, o favorito do público foi claramente Harper Lee, a autora octogenária de "O Sol é para Todos". Apesar de não ter dito nenhuma palavra -nenhum dos homenageados disse- todos a adoravam. O livro dela vendeu 30 milhões de cópias, mas ela nunca publicou outro.

-Eu fiquei feliz ao descobrir que Becker não foi o único economista a receber a medalha neste ano. Ellen Johnson Sirleaf, a presidente da Libéria, não é apenas a primeira mulher a ser eleita líder de um país africano, mas entre seus vários diplomas está um de economia pela Universidade do Colorado.

-Na infância, eu idolatrava o presidente John F. Kennedy, principalmente porque eu nasci exatamente 50 anos depois do dia em que ele nasceu, e também nasci a poucos quilômetros do local onde ele nasceu, em Brookline, Massachusetts. Eu não mais penso muito em JFK, mas fiquei hipnotizado pelo retrato dele que está pendurado no Salão de Entrada, do lado de fora do Salão de Jantar de Estado na Casa Branca. Ele parece impressionantemente jovem e frágil. Pela primeira vez, eu percebi que tenho quase a mesma idade que ele tinha quando se tornou presidente.

Steven D. Levitt

Uma palavra da Wordsmith

Em 1994, Anu Garg, um estudante de doutorado em ciência da computação da Universidade da Reserva de Case Western, em Cleveland, Ohio, decidiu escolher uma palavra por dia, estudar suas origens e compartilhar o resultado com seus colegas estudantes.

O resultado foi o Wordsmith.org, que atualmente conta com mais de 650 mil leitores em 200 países. Nos últimos 13 anos, Garg compartilhou milhares de palavras com outros interessados na língua, incluindo "illest" (pessoa que se refere a si mesma na terceira pessoa) e "petrichor" (o odor agradável que acompanha a primeira chuva após um período de seca), assim como curiosidades como o fato de "xampu" vir da palavra hindi "champo", que significa "massagem na cabeça".

Garg acabou de publicar um livro sobre suas pesquisas, "The Dord, the Diglot, and an Avocado or Two: The Hidden Lives and Strange Origins of Common and Not-So-Common Words", e agora se ofereceu para escrever sobre as origens da palavra "economia" para esta coluna:

Mencione a palavra "economia" e ela conjura imagens de gráficos pizza, modelos, teorias e professores com óculos pendurados na ponta do nariz. Bilhões de dólares dependem de um mero resmungo de economistas como o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Existe até mesmo um Prêmio Nobel de economia.

Bem, a economia avançou muito desde seu início doméstico. A palavra "economia" teve sua origem no grego "oikonomikos" (relacionado à administração do lar), de "oikos" (casa).

Recuando ainda mais, a palavra descende da raiz indo-européia "weik-" (clã), que também nos deu palavras como vila, vilão, vizinhança, ecologia e paróquia.

Antigamente, antes de existir Wall Street, a Bolsa de Valores de Nova York, os principais indicadores econômicos e o ex-presidente do Fed, Alan Greenspan, havia uma família. O lar era a unidade da economia, literalmente. A família trabalhava na fazenda, cultivava sua própria comida, preparava suas próprias refeições e levava para fora seu próprio lixo.

Economia sólida significava uma boa administração do lar. Nenhuma viagem ao mercado, nenhuma visita a restaurante de comida chinesa para viagem e nenhuma entrega de pizza.

Então as coisas mudaram.

Surgiu a especialização, a divisão do trabalho. Hoje, antes que o alface chegue às prateleiras do supermercado do seu bairro, uma centena de pessoas diferentes deve ter ajudado a transformá-la de semente a um produto embalado e com código de barras. Após o bipe do leitor óptico do caixa, ela é sua para levar para casa.

O que nos leva ao assunto da economia doméstica: esta é uma frase redundante, não é? E existe algum Nobel para a melhor administração do lar?

Stephen J. Dubner e Anu Garg George El Khouri Andolfato

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são os autores de 'Freakonomics' e 'Superfreakonomics'. O livro mais recente deles é 'When to Rob a Bank... and 131 More Warped Suggestions and Well-Intended Rants'.

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