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Freakonomics.com: obesidade feminina, economia dos mosquitos e aposta nos tenistas

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Por que as mulheres têm maior chance de se tornarem obesas do que os homens? Em quase todos os países, parece que as mulheres têm maior probabilidade de serem obesas do que os homens. As economistas Anne Case, da Universidade de Princeton, e Alicia Menendez, da Universidade de Chicago, lançaram-se a descobrir por que, usando dados coletados de uma cidade perto de Cidade do Cabo, áfrica do Sul. Aqui vão alguns dos principais itens de seu artigo acadêmico recentemente publicado sobre o assunto: - "As mulheres que foram mal nutridas na infância são significativamente mais propensas a se tornarem obesas quando adultas, enquanto os homens privados na infância não enfrentam maior risco." - "Mulheres de posição socioeconômica mais alta têm significativamente maior chance de serem obesas, o que não é verdade para os homens." Esses dois fatores, segundo Case e Menendez, explicam integralmente a diferença entre os índices de obesidade masculina e feminina em sua amostra de 975 homens e mulheres. Mas há um terceiro ponto, bastante interessante: - "Por fim, de forma mais especulativa, o corpo feminino 'ideal' para as mulheres é maior do que o corpo masculino 'ideal' para os homens, e indivíduos com a imagem de corpo 'ideal' maior têm mais chance de serem obesos." As descobertas de Case e Menendez merecem ser consideradas por qualquer um que esteja tentando combater a obesidade. Outra questão para se explorar: se a obesidade tem um custo grande para uma mulher solteira e um custo menor para uma casada. Pode-se perguntar o mesmo para os homens. Talvez valha a pena notar um fato óbvio: Case e Menendez são mulheres e produziram o que parece um trabalho importante de pesquisa sobre mulheres. A economista Emily Oster é outra que faz pesquisa importante em relação a mulheres em relação a tudo, desde o hábito de assistir televisão até seu acesso à saúde. O que me faz pensar: - Os economistas homens tendem a fazer pouca pesquisa sobre assuntos da mulher? - Neste caso, não deveria haver mais economistas mulheres? Stephen J. Dubner A economia dos mosquitos Talvez o leitor não ache que os mosquitos sejam um grande assunto para economistas, mas dois artigos acadêmicos recentes provam o contrário. Hoyt Bleakley é professor de economia da Universidade de Chicago e fez considerável pesquisa sobre doenças em países em desenvolvimento. Ele documentou os benefícios da erradicação da malária no Sul dos EUA nos anos 20 e, depois (quando o DDT tornou-se disponível), no México, Brasil e Colômbia. Ao comparar áreas que tinham e que não tinham problemas de malária antes das campanhas de erradicação, Bleakley mediu alguns dos benefícios de abolir a malária. Usando dados de censo, ele concluiu que livrar-se da malária leva à elevação de salários e dos índices de alfabetização para crianças que cresceram após a erradicação. Os salários subiram de 10 a 40% depois da erradicação, nos locais que eram mais afetados pela malária. Bleakley também fez algumas descobertas surpreendentes e poderosas a respeito de tênias: ele percebeu que as áreas do Sul dos EUA que tinham níveis maiores de infecção por tênia apresentaram índices mais altos de freqüência escolar e alfabetização após o início dos esforços e erradicação. David Cutler, Winnie Fung, Michael Kremer e Mônica Singhal -todos da Universidade de Harvard- em recente artigo para o Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, documentaram impactos igualmente impressionantes das campanhas de combate à malária na índia. Eles descobriram que houve um aumento de 12% no índice de alfabetização e término do ensino fundamental após a implementação dos programas. Artigos como esses são lembretes importantes de como os avanços tecnológicos mudaram radicalmente nossas vidas. é importante lembrar que não faz muito tempo, a mortalidade infantil, desnutrição e doenças eram a norma. Steven D. Levitt Os jogadores de tênis vão fazer os lutadores de sumô parecerem pesos leves? Lembram-se de nosso artigo sobre a manipulação de resultados de lutas de sumô há pouco tempo? Esses lutadores poderão parecer pesos leves se comparados com alguns jogadores de tênis. De acordo com a Associated Press, está circulando pela Associação de Profissionais de Tênis e por outras autoridades um documento questionando o resultado de 150 jogos de tênis em torno do mundo. Depois de ler apenas as reportagens da imprensa -sem ver os dados- minha sensação é que o número de jogos de tênis com resultado manipulado deve ser muito baixo. Por que penso assim? Há algo ausente no tênis que está presente nas lutas de sumô: um esquema de incentivo altamente não linear. A oitava vitória em um torneio de sumô vale mais do que a sexta, a sétima, a nona ou a décima. Assim, os lutadores podem obter grandes ganhos com trocas. No tênis, entretanto, o único incentivo aparente em funcionamento são subornos dos apostadores. A falta de incentivo para os jogadores de tênis trocarem vitórias tem que significar menor probabilidade de roubalheiras endêmicas. Como os mercados de apostas são pequenos -especialmente para jogos pouco importantes- também fica mais difícil trapacear, porque as grandes apostas vão se destacar como um polegar machucado. De fato, o prêmio para jogos importantes são tão altos hoje em dia, por que os jogadores concordariam em manipulá-los? Steven D. Levitt Deborah Weinberg

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